O serviço de inteligência do Reino Unido observou na sexta-feira que o recente hackeamento do aplicativo de mensagens Telegram e as restrições aos serviços de internet móvel na Rússia refletem o “crescimento da infraestrutura digital” na política de segurança do país.
Embora as autoridades russas tenham justificado os cortes como uma medida de segurança no seu ataque à Ucrânia, “os observadores colocam os cortes dentro de um padrão mais amplo de regulação governamental do ambiente de informação online”, detalhou a Inteligência Britânica num relatório partilhado com a rede.
A este respeito, destacou que “restringir o acesso à plataforma pode retardar a disseminação de narrativas não oficiais e críticas às políticas governamentais”, enquanto o Telegram se tornou um canal “importante” para jornalistas, blogueiros e comentaristas políticos que divulgam informações fora dos grandes meios de comunicação.
Segundo o relatório, as autoridades russas admitiram que a interrupção dos serviços do Telegram foi “deliberada”. Na verdade, o porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov, disse que tais medidas estão a ser postas em prática “para garantir a ordem pública” e poderão permanecer em vigor enquanto persistirem as preocupações de segurança.
Estas alegadas ameaças à segurança devem-se ao facto de plataformas de mensagens encriptadas – como o Telegram – poderem ser usadas “para coordenar sabotagem ou ataques de drones”, pelo que a interrupção do serviço visa parar comunicações hostis e proteger infra-estruturas civis, segundo responsáveis russos.
RESULTADOS ECONÔMICOS DA ASCENSÃO DO TELEGRAM
Além de restringir o acesso a informações não oficiais, a Inteligência Britânica revelou que o corte dos serviços de internet móvel teve um impacto económico em cidades como Moscovo, afetando sistemas de pagamento, serviços de navegação e aplicações de transporte “que dependem de conectividade constante”.
“As empresas que dependem de serviços digitais relataram perdas financeiras durante a paralisação, destacando o amplo impacto social das restrições às redes móveis”, concluiu o relatório.















