Amanda Rodríguez Machín
Madrid, 31 mar (EFE).- Uma série de atrações turísticas espanholas, um hotel em deterioração em Lisboa e um assassinato inesperado são os elementos de ‘Se é terça-feira, é um assassinato’, a nova série original da Disney+ que chega aos palcos esta terça-feira e mistura comédia e suspense em forma de ‘whodunit’ ou “quem é o assassino”.
A série, dirigida por Salvador Calvo – vencedor do Goya por ‘Adú’ – busca resolver o mistério de um ponto de vista híbrido: “Não só conta um thriller ou um ‘whodunit’ com suspense, mas também acrescenta outra camada que é a comédia”, explicou o diretor em entrevista à EFE.
Calvo observou que tanto ele quanto o roteirista Carlos Vila (‘O Mistério de Laura’) queriam combinar esses gêneros com filmes estrangeiros como ‘Puñales por la corazón’, um movimento raro na produção espanhola.
Este desafio apresentou um “bom fio” para avançar, com um equilíbrio entre a tensão da investigação e o humor natural que emerge da situação “pois na realidade não se força o humor, mas o humor sai da situação”, acrescentou Calvo.
A série começa com a chegada de vários grupos de turistas espanhóis à capital portuguesa para uma viagem organizada, até à morte de um dos viajantes. A partir desse momento, vários membros do grupo trabalharão juntos para encontrar o culpado: o misterioso e atraente Fabio (Alex García), a infiel e inteligente Alicia (Inma Cuesta), a gentil Dona Pura (Ana Wagener) e o extraordinário jovem Daniel (Biel Montoro).
Por isso, a produção é inspirada no mundo dos games como ‘Cluedo’, onde cada personagem é criado com características e signos únicos que dão vida à trama; e aposta em “uma história verdadeiramente universal” para “chegar a todos”, apresentando um grupo de turistas, neste caso espanhóis, mas “que podem ser franceses, ingleses ou americanos”, disse Calvo.
A série comunica com o público através de todo o tipo de fontes, desde o jogo com a estética e as cores das personagens, o momento em que os participantes quebraram a ‘quarta parede’ e falaram com o público, ou a estrutura da série, que corresponde a um dia da semana do percurso de cada capítulo. E além disso, o título, que remete ao antigo slogan turístico “se é terça-feira, é Bélgica”, disse o realizador, aqui reinterpretado em chave criminal.
O projeto foi filmado inteiramente em Lisboa, o que representa um elemento importante da sua ambientação: “É o cenário perfeito, uma cidade que tem esse período de destruição, mas ao mesmo tempo uma beleza incrível”, afirma Calvo.
A cidade é, com a vertente da comédia, um dos motivos que mais atraiu os participantes, que concordam com o encanto da capital portuguesa, porque não imaginam “outro lugar com aquele mistério que Lisboa tem” e a sua “atmosfera especial”.
Além do crime central, eles também destacam “todos os mistérios que nos cercam”, disse Wagener, já que cada personagem guarda um segredo pessoal que é revelado à medida que seu relacionamento avança.
O convívio durante as filmagens, que duraram vários meses, contribuiu para o fortalecimento desta dinâmica entre os atores, que recriaram de certa forma as vivências das suas próprias personagens: “contar a história ajudou um pouco (…) e deu-te aquela sensação de estar longe de casa”, admite Inma Cuesta.
Entre essas relações, destaca-se aquela entre os rostos de Álex García e Inma Cuesta, que “quebra continuamente os arquétipos”.
Por outro lado, Wagener se parabeniza por interpretar uma mulher “engraçada, apaixonada e enérgica” e com sotaque canário. Ele também trabalhou o português: “Me preparei muito para ele falar perfeitamente”. EFE
(Foto)(Vídeo)














