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Falta de sistema de reservas retarda uso de trens em rotas internacionais, segundo T&E

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Bruxelas, 21 de abril (EFE).- O complexo e confuso sistema de reserva de bilhetes dificulta aos passageiros a substituição de aviões por comboios em viagens internacionais dentro da União Europeia, ao não lhes permitir comprar bilhetes para toda a viagem ou ao não os informar sobre serviços concorrentes, segundo um relatório da organização ambientalista Transport & Environment (T&E).

Esta agência investigou se existem rotas alternativas baratas para as trinta companhias aéreas internacionais mais frequentes da União Europeia e concluiu que quase metade delas tem dificuldade ou impossibilidade de reservar a mesma viagem de comboio.

Em 20% deles, nenhum dos operadores ferroviários envolvidos permitiu que os passageiros comprassem um bilhete para toda a viagem e noutros 27% o bilhete para toda a viagem só podia ser adquirido a um dos operadores.

“Esta constatação é preocupante, uma vez que os passageiros dos comboios compram frequentemente os seus bilhetes através do motor de reservas do operador nacional.

Num estudo anterior, constatou-se que 61% dos passageiros de comboios de longa distância evitaram viajar pelo menos uma vez devido à dificuldade de reserva.

Além disso, em média, demora 70% mais tempo a reservar um bilhete de comboio do que um bilhete de avião, segundo a Universidade de St. Pölten, na Áustria, o que pode dever-se ao facto de ser impossível reservar algumas das rotas mais populares a partir do site de todos os operadores envolvidos, segundo a T&E.

Tal é o percurso de Lisboa a Madrid, onde nenhuma Renfe ou Comboios de Portugal se oferece para comprar o bilhete para a viagem completa, ou aquele que liga Barcelona a Milão, que não é permitido pela operadora espanhola ou pela italiana Trenitalia fazê-lo.

No caso Paris-Roma, apenas a Trenitalia oferece passagem para toda a viagem, enquanto a holandesa NS só permite em Amsterdã-Milão.

A análise revela que as plataformas privadas de reservas oferecem mais opções de viagens transfronteiriças, permitindo comprar bilhetes para 77% das viagens superiores a 900 quilómetros de uma só vez, mas o preço pode ser seis vezes superior ao do site da operadora.

Por outro lado, a T&E destaca que em metade das rotas analisadas (59%) os operadores não mostram as preferências dos seus concorrentes, e em 86% dos casos os operadores estabelecidos não vendem bilhetes de novos operadores no seu site.

“Isto é um golpe para os bolsos dos passageiros. Os bilhetes da Renfe são geralmente um terço mais caros que os dos seus concorrentes”, afirmou a organização ambientalista, cujos cálculos se baseiam em dados da CNMC.

Face à conclusão, a T&E apela à Comissão Europeia para que aborde a questão na próxima proposta de Bilhete Único, que irá monitorizar efetivamente a venda de bilhetes nos diferentes meios de transporte e está prevista para maio.

“Este pacote oferece uma grande oportunidade para simplificar e melhorar a experiência de reserva de bilhetes de comboio europeus para os passageiros, permitindo que as pessoas em toda a UE escolham transportes amigos do ambiente com plenos direitos dos passageiros”, afirmaram. EFE



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