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“Precisamos de uma América Latina justa e com mais liberdade”: a demanda da juventude

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Brasília, 20 mai (EFE) .- Os jovens latino-americanos querem estar envolvidos na tomada de decisões e ter mais oportunidades, como se viu nos dois dias de debates que terminaram quarta-feira no encontro ‘Governo do Futuro: Esperança da Juventude’.

A discussão organizada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) com o apoio da EFE terminou com uma carta aberta com reivindicações que serão apresentadas às autoridades.

Keven Paca, estudante de Geografia de 22 anos, residente no interior de Brasília, valorizou que as recomendações feitas aos líderes da região enfatizam a importância dos jovens.

“Conseguimos criar uma proposta que se transformou em documento, que espero que nossos líderes aceitem com amor e respeito para que possamos ter uma América Latina e um Caribe melhor e mais justo, com mais oportunidades para os jovens”, disse Paca à EFE.

Pedido de proteção contra difamação

Os jovens expressaram as suas exigências na Carta da Juventude para o Futuro da Democracia, uma declaração política de cinco pontos com um pedido específico ao Estado, para garantir a participação política dos jovens, a implementação de políticas de inclusão e proteção contra informações falsas.

O mais inovador é a exigência de que a plataforma digital seja controlada para garantir a transparência do algoritmo e responsabilizar a ‘big tech’ pela disseminação de conteúdos falsos.

Só na quarta-feira o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, assinou um decreto obrigando as plataformas de redes sociais a remover conteúdos ofensivos de forma preventiva e sem necessidade de decisão judicial, especialmente em casos de crimes graves, como terrorismo, ataques à democracia, racismo, xenofobia e violência contra as mulheres.

Em linha com isto, a declaração de Brasília apelou à inclusão da literacia mediática e digital no currículo escolar, para dar aos jovens as ferramentas para se protegerem de informações falsas, que estão a piorar com a ascensão da inteligência artificial.

O documento também apela a uma maior proteção contra a violência contra as mulheres jovens, os negros, os povos indígenas e as minorias sexuais, bem como a garantia de direitos e serviços para as populações vulneráveis ​​e marginalizadas.

Além disso, o Estado é obrigado a garantir trabalho digno e tempo livre para os jovens exercerem plenamente os seus direitos como cidadãos.

A discussão terminou com um inquérito aos participantes sobre a sua visão do futuro da democracia na América Latina, um inquérito claro que revelou opiniões elevadas, mas pouca esperança de reformas bem-sucedidas.

83,7% dos participantes no encontro consideraram as condições ideais para a reforma das instituições públicas que visam garantir que os jovens se tornem “atores políticos centrais”, situação que está muito longe da sua percepção da situação.

Por outro lado, 46% consideram que o cenário mais provável é a manutenção do atual sistema democrático, sem mudanças significativas, e 31% consideram o aumento do discurso populacional que transformou a América Latina numa região com um nível político mais transparente.

Esta doença é partilhada por jovens de toda a América Latina, que participaram na ação no vídeo recolhido por jornalistas da agência EFE em países como Argentina, Bolívia, Colômbia, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Paraguai, República Dominicana e Venezuela.

Os jovens líderes concordaram que a alienação da nova geração em relação à política não responde a uma verdadeira apatia, mas a barreiras estruturais e ao “centrismo adulto” nas instituições públicas.

Denunciaram que o trabalho do partido deixou de ser visto como uma vocação e se tornou um “negócio elitista” monopolizado pelo governo.

Para reverter esta crise, os jovens propõem uma solução urgente que inclui passar para “eleições cidadãs”, democratizar os partidos políticos e mudar o processo eleitoral para um sistema que seja verdadeiramente controlado pelos cidadãos. EFE

(foto) (vídeo)



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