CIDADE DO PANAMÁ — A ganhadora do Prêmio Nobel da Paz da Venezuela, María Corina Machado, anunciou que planeja concorrer à reeleição e retornar ao seu país antes do final de 2026.
Os comentários de Machado no sábado, feitos durante uma reunião no Panamá com vários líderes da oposição venezuelana, ocorreram mais de quatro meses depois de a Casa Branca ter decidido colocá-lo de lado em favor de trabalhar com os partidos governantes venezuelanos leais à invasão militar dos EUA e à prisão do presidente Nicolás Maduro.
Machado está exilado desde dezembro, quando saiu de 11 meses escondido na Venezuela e viajou para a Noruega, onde participou da cerimônia do Prêmio Nobel.
Ele disse aos repórteres na Cidade do Panamá que ele e outros líderes da oposição continuam comprometidos com uma transição democrática “através de eleições presidenciais livres e justas, nas quais todos os venezuelanos dentro e fora do país votarão”.
No entanto, não está claro quando a Venezuela realizará eleições presidenciais.
O presidente Trump e altos funcionários da administração elogiaram o sucessor de Maduro, representado pelo presidente Delcy Rodríguez – ex-vice-presidente de Maduro – que abriu a indústria petrolífera da Venezuela ao investimento dos EUA num momento de aumento dos preços do petróleo alimentado pela guerra EUA-Israel no Irão.
Ao contrário das administrações anteriores dos EUA, a administração de Trump não enfatizou a democracia como um objectivo ao levar a cabo uma “mudança de regime”.
A administração Trump minimizou os rumores de eleições na Venezuela, que são exigidas pela constituição do país no prazo de 30 dias após um presidente se tornar “não permanente”.
Eleições com critérios democráticos levarão de sete a nove meses para serem planejadas, disse Machado. Entre as mudanças necessárias estão a nomeação de funcionários eleitorais independentes, a reforma do recenseamento eleitoral e a capacidade dos candidatos da oposição concorrerem a cargos públicos sem interferência do governo.
Machado emergiu como o adversário mais forte de Maduro nos últimos anos, e o regime autoritário proibiu-o de concorrer à presidência em 2024, levando-o a escolher o embaixador reformado Edmundo González Urrutia para representar o seu partido nas eleições.
Autoridades leais ao partido no poder declararam Maduro o vencedor poucas horas após o encerramento das urnas, mas a campanha bem organizada de Machado – apoiada por observadores internacionais – reuniu provas que mostram que González venceu Maduro por mais de 2-1.
No sábado, Machado disse aos jornalistas que concorreria contra qualquer outro candidato presidencial numa “eleição inútil”.
“Serei candidato, mas pode haver outros, é claro”, disse ele. “Quero competir com todos, com todos que querem ser candidatos”.















