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A Rússia voltou a utilizar o seu novo míssil hipersónico na Ucrânia. Aqui está o que você precisa saber sobre Oreshnik

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A Rússia disse na sexta-feira que usou seu último míssil contra a Ucrânia pela segunda vez na guerra de quase quatro anos, um sinal poderoso para Kiev e seus aliados ocidentais, no momento em que as negociações de paz lideradas pelos EUA entram em uma nova e importante fase.

Um míssil de cruzeiro hipersônico Oreshnik atingiu a parte ocidental de Lviv, na Ucrânia, na noite de quinta-feira, embora as autoridades não tenham dito que houve vítimas. A área fica perto de uma base militar na vizinha Polónia, membro da NATO, que é um importante centro de transporte de armas ocidentais para Kiev.

Alguns comentadores em Moscovo disseram que o ataque foi um aviso aos líderes europeus contra as propostas de envio de tropas para a Ucrânia como parte de um acordo de paz. A Rússia disse que não reconhecerá o envio e considera as forças alvos legítimos.

Aqui está uma olhada nas armas e por que a Rússia as usou:

O que se sabe sobre Oreshnik

A Rússia usou o Oreshnik pela primeira vez na cidade ucraniana de Dnipro em novembro de 2024.

O presidente Vladimir Putin disse que o Oreshnik, que significa “avelã” em russo, viaja a 10 vezes a velocidade do som, ou Mach 10, “como um meteorito”, e é imune a todos os sistemas de defesa antimísseis.

Ele disse que a arma era tão poderosa que vários desses mísseis – mesmo com ogivas convencionais – poderiam ser tão devastadores quanto um ataque nuclear. Ele disse que isso poderia destruir bunkers subterrâneos de “três, quatro ou mais andares”.

Os militares russos disseram que o Oreshnik poderia transportar armas nucleares ou convencionais e atingir qualquer alvo europeu.

O Pentágono afirma que o Oreshnik é um tipo de míssil balístico de alcance intermediário, ou IRBM, baseado no míssil balístico intercontinental russo RS-26 Rubezh, ou ICBM. Um míssil médio pode voar entre 310 e 3.400 milhas). Essas armas são proibidas por um tratado da era soviética que Washington e Moscou abandonaram em 2019.

Quando a Rússia usou o Oreshnik pela primeira vez, os militares ucranianos disseram que o míssil tinha seis ogivas independentes, cada uma carregando seis ogivas.

Blogueiros militares russos disseram que as ogivas disparadas por cada arma pareciam estar desarmadas, mas tinham alta energia cinética estimada para fornecer uma força destrutiva equivalente a uma tonelada de explosivos.

Desde o início da invasão em grande escala da Ucrânia em 2022, a Rússia utilizou uma série de mísseis de cruzeiro de baixo custo e outros mísseis, mas nenhum com o alcance e potência do Oreshnik.

Transferido para a Bielorrússia

O Ministério da Defesa russo disse no mês passado que o Oreshnik foi enviado para a Bielorrússia e entrou em serviço ativo. Não foi especificado quantos mísseis foram enviados ao principal aliado de Moscovo e se estavam equipados com armas nucleares, mas o presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, disse que seriam instalados lá até 10 sistemas Oreshnik.

A Rússia já havia implantado armas nucleares táticas na Bielorrússia, o território que utilizou para lançar a invasão da Ucrânia.

Em 2024, Putin emitiu uma doutrina nuclear revista que colocou a Bielorrússia sob a égide atómica da Rússia. O documento reduziu significativamente o limite para o uso de armas nucleares e declarou que um ataque convencional de qualquer país à Rússia apoiado por forças nucleares seria considerado um ataque conjunto ao país. A ameaça visava claramente desencorajar o Ocidente de permitir que a Ucrânia atacasse a Rússia com armas de longo alcance.

Ao contrário das armas convencionais de curto alcance da Rússia, o Oreshnik é capaz de desferir um ataque poderoso e convencional em qualquer parte da Europa, dando ao Kremlin uma nova ferramenta para uma escalada contínua do seu arsenal nuclear. Não se saberá se o míssil transporta uma ogiva nuclear ou convencional antes de atingir o alvo.

Mensagem da Rússia sobre o uso de Oreshnik

Quando a Rússia usou o Oreshnik pela primeira vez, Putin descreveu-o como uma resposta aos aliados ocidentais da Ucrânia, permitindo-lhe usar as suas armas a uma distância mais longa para atacar o território russo.

Os últimos ataques ocorrem num momento em que os esforços liderados pelos EUA para pôr fim ao conflito na Ucrânia entram numa fase crítica e parecem realçar a intenção de Putin de negociar a partir de uma posição de força, à medida que as suas tropas obtêm ganhos territoriais lentos mas constantes.

Alguns bloggers militares russos notaram que o ataque em Lviv, não muito longe da fronteira polaca, foi uma mensagem aos aliados de Kiev. Os membros da “coligação dos dispostos” propuseram o envio das suas tropas para a Ucrânia como parte de uma garantia de segurança após a conclusão do acordo de paz.

A Rússia afirmou que não aceitará as forças europeias na Ucrânia, considerando-as como alvos legítimos.

“Esta é a primeira vez que o comando da OTAN demonstra ataques com armas estratégicas nas suas fronteiras”, disse o especialista militar Valery Shiryayev. “Esta ação pretende demonstrar a prontidão da liderança militar e política da Rússia para usar tais armas com ogivas nucleares, se necessário”.

O ataque ocorre menos de uma semana depois de os Estados Unidos prenderem o presidente venezuelano Nicolás Maduro, um aliado da Rússia. O Ministro dos Negócios Estrangeiros russo condenou a acção dos EUA como um acto de agressão e criticou fortemente a apreensão pelos EUA de um petroleiro de bandeira russa.

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