Início Notícias Aina Clotet lança ‘Viva’ após vencer Cannes: “Com a comédia enfrento meus...

Aina Clotet lança ‘Viva’ após vencer Cannes: “Com a comédia enfrento meus medos”

19
0

Marina Estévez Torreblanca

Madri, 18 de junho (EFE).- ‘Viva’ é uma triste história sobre a urgência de uma mulher em aproveitar sua existência depois de se recuperar de um câncer. “O humor permite-me aproximar-me do que me assusta”, explicou à EFE a realizadora e protagonista Aina Clotet, premiada em Cannes por este primeiro filme lançado sexta-feira.

Grande vencedor da Semana da Crítica do prestigiado festival de cinema francês, o filme acompanha a história de Nora, uma cientista perfeccionista e controladora interpretada por Clotet (Barcelona,​​1982), que questiona seu lugar no mundo quando uma doença a informa de sua morte.

Acostumada a se esforçar ao máximo em todas as áreas, ela se vê presa entre duas relações com homens que têm “coisas muito boas”, explicou a atriz em entrevista, que examina situações como dependência emocional e apego.

Nora se vê dividida entre a segurança de seu relacionamento de longa data com Tom (Naby Dakhli) e a aparição inesperada de Max (Marc Soler), um jovem que desperta dentro dela novos desejos e oportunidades.

Mas o filme não se trata de encontrar o homem certo para a heroína, alerta o criador da série ‘Isto não é a Suécia’, mas sim de “uma viagem para encontrar a sua própria força e identidade”.

Assim, o público acompanhará Nora na “reapropriação” que ela faz de seu desejo e de sua sexualidade após a marca, tanto interna quanto física, que o câncer deixou nela.

E o mais correto é “contar o medo do personagem”, o desejo sexual fica bem visível no filme, explicou o coautor do roteiro.

Ao filmar as cenas mais quentes, Clotet percebeu que tinha uma “herança muito masculina” e trabalhou para mudar essa narrativa, diz ele. “Eu queria muito dizer nessas cenas, então me perguntei qual era o meu sonho, como criar desejo e como mostrar o corpo feminino em uma posição reta e, ao mesmo tempo, realista”, destacou.

Uma foto que mostra uma mulher na casa dos 40 anos que também fez masectomia. “O que me surpreende é que tem gente que se surpreende ao ver o corpo de uma mulher tratado normalmente, e tem gente que consegue entender que ela não é mais jovem. Acho que ainda temos muita história para contar”, disse Clotet.

O filme também transita com emoção e leveza por temas profundos como o horror da morte, as etapas da despedida dos entes queridos e a relação com os pais, interpretados por Guillermo Toledo e Loll Beltran.

“Uma das coisas que mais me assusta é me levar a sério, por isso procuro sempre manter a leveza, o distanciamento e a ironia”, diz Clotet, que às vezes tira fotos em segredo – não poupando cenas inusitadas na tela como uma mamografia dolorosa –, às vezes com tom romântico.

O catalão admitiu que gostaria de continuar a realizar, algo que fará na segunda temporada de ‘Viva Suécia’ e na “ideia para um segundo filme” que escreverá com a sua co-roteirista, Valentina Viso.

“Também quero muito continuar fazendo coisas a pedido de outros diretores, porque ser ator é o que mais gosto”, disse Clotet, que em breve lançará ‘Viva’ na França. EFE

(vídeo)



Link da fonte