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As reformas educativas planeadas pelo Governo: porque querem mudar o sistema e quais as chaves do projecto

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O governo nacional está a planear uma reforma educativa para mudar os pilares do sistema argentino e reverter a deterioração da educação.

ele governo nacional para concluir os detalhes de um reforma educacional que buscará mudar alguns dos pilares do sistema argentino. Embora o projeto ainda não tenha sido enviado ao Congresso e o texto final ainda esteja em preparação, o projeto de lei reabriu a discussão que circula há vários meses e foi aprovada por especialistas, professores e autoridades: como restaurar a deterioração da educação após anos de maus resultados e qual deveria ser o papel do Estado ao fazê-lo.

Este é o eixo da coluna Rosendo Grobo mostrado por Infobae à tardeque examinou a doença que, segundo a sua explicação, deu origem à iniciativa e examinou algumas alterações que o Governo está a estudar. Durante a apresentação, este cientista político confirmou que não se trata apenas do dinheiro disponibilizado pelo Estado para a educação, mas da capacidade do sistema de transformar este investimento em melhores oportunidades para os estudantes.

Rosendo Grobo destacou que a questão da educação não diz respeito apenas ao orçamento, mas sim à capacidade do sistema de transformar investimentos em melhores oportunidades (Imagem Ilustrativa Infobae)

Para ilustrar a extensão do problema, escolheu uma notícia que resume, em sua opinião, a feiúra da educação argentina. Com base nos resultados do teste PISA divididos por nível socioeconômico, ele observou que A classe média da Argentina está pior do que os setores mais pobres do Chileuma comparação que põe em causa um dos aspectos históricos da escola argentina: a sua capacidade de funcionar como ferramenta de mobilidade social.

Para a Grobo, esse quadro representa um problema que vai além das diferenças econômicas e atinge setores que há décadas são vistos como uma das principais ferramentas do progresso.

Este diagnóstico também lança luz sobre outra discussão em torno da inovação: a relação custo-eficácia. Durante a coluna, ele apresentou um estudo elaborado por Argentinos por la Educación que compara os investimentos arrecadados por aluno com os resultados obtidos em matemática em diferentes países. De acordo com esses dados, A Argentina fornece cerca de US$ 40 mil por aluno durante sua carreira escolar, mas obtém desempenho inferior ao de outros sistemas com o mesmo nível de investimento..

(Infobae ao vivo)
Os resultados do teste PISA mostram que a classe média da Argentina tem desempenho pior do que os setores mais pobres do Chile (Infobae Live)

“Temos resultados piores do que a quantidade de dinheiro que gastamos”, concluiu antes de citar os casos do Uruguai, da Sérvia e da Turquia, países que – segundo ele – obtiveram melhores indicadores educacionais com os mesmos gastos. A conclusão, continuou, é que o debate sobre a educação não pode ser evitado em termos orçamentais: a forma de utilização dos recursos também deve ser incluída.

Com base nisso, surge uma das mudanças mais importantes cogitadas pelo Executivo. Segundo Grobo, o projeto visa mudar o sistema de financiamento do sistema educacional. Em vez de concentrar recursos no sistema de gestão ou nas empresas que atuam em cada empresa, a proposta sugere avançar para um modelo que tenha como foco o aluno ou a própria escola, lógica que prevê experiências como vouchers ou escolas charter.

Este cientista político explicou que o objetivo não é apenas reduzir os cargos docentes. Na verdade, ele lembrou que a Argentina tem uma das maiores proporções de trabalhador por estudante entre os países da OCDE. O problema, continuou, é que este sistema não se traduziu numa melhor aprendizagem, razão pela qual considera necessário olhar para a forma como os recursos são distribuídos e os incentivos gerados pelo sistema.

Uma análise do investimento por aluno e da matemática indica que a Argentina fornece cerca de US$ 40 mil por aluno e obtém resultados inferiores aos de outros países com custos semelhantes.
Uma análise do investimento por aluno e da matemática indica que a Argentina fornece cerca de US$ 40 mil por aluno e obtém resultados inferiores aos de outros países com custos semelhantes.

A reforma também inclui um capítulo destinado a fortalecer as avaliações educacionais, outro ponto de maior debate. Entre outras medidas, o projeto de lei propõe a publicação dos resultados escolares nas avaliações nacionais, prática que encontra limitações na lei atual.

Para a Grobo, ter essas informações permitirá às famílias conhecer o desempenho de cada instituição e facilitará a implementação de políticas de melhoria. “Existe uma ideologia que diz que medir é errado porque é degradante. Mas as crianças não aprendem a caluniar“, disse ele. Desse ponto de vista, ele defendeu a necessidade de tornar os resultados transparentes e resumiu sua posição com uma frase poderosa: “Não há nada mais ridículo do que não medir”.

O mesmo pacote de mudanças inclui a criação do ENES, exame nacional voluntário para alunos que concluíram o ensino secundário. Segundo sua explicação, a avaliação busca estabelecer um referencial comum para todos os graduados, independentemente da instituição onde concluíram os estudos, e oferecer ferramentas adicionais para a aquisição de conhecimentos.

Grobo referiu-se a experiências como a do Brasil e da China para explicar como funciona esse tipo de avaliação e confirmou que elas podem ajudar a equalizar as oportunidades de estudantes de diferentes origens. A recomendação é baseada na doença preocupante: se for lembrada durante a coluna, Apenas um em cada dez estudantes argentinos conclui o ensino secundário a tempo e tem conhecimentos mínimos de matemática e línguas..

(Infobae ao vivo)
Grobo alerta que apenas um em cada dez argentinos termina o ensino médio dentro do prazo e tem pouco conhecimento de matemática e línguas (Infobae Live)

Além do conteúdo do projeto específico, chamou-se a atenção para um fenômeno que, segundo ele, o cientista político, mudará o sistema educacional mesmo que a reforma não se desenvolva. Um declínio acentuado na taxa de natalidade reduzirá ainda mais o número de estudantes que ingressam na escola nos próximos anos.

Há dez anos, nasciam cerca de 800 mil bebés todos os anos; Quase 400.000 nasceram“, explicou. Esta mudança demográfica vai obrigar-nos a reorganizar as infra-estruturas escolares, a distribuição dos professores e a distribuição dos recursos. Mas, longe de interpretar este fenómeno apenas como um problema, disse que também poderá tornar-se uma oportunidade para melhorar a qualidade da educação se o sistema for capaz de se adaptar aos tempos.

A implementação de todas as reformas, em qualquer caso, depende da operação federal da educação argentina. Embora o governo nacional esteja a promover as novas directrizes, a gestão escolar é paralela às províncias, que acabarão por desempenhar um papel importante na implementação das mudanças. Por esta razão, Grobo alertou que muitas das mudanças exigem um acordo político mais amplo do que a aprovação de uma lei no Congresso.

Um corredor escolar vazio com mochilas escolares azuis no chão, cadernos abertos, celulares com telas e carteiras verdes ao fundo.
A diminuição da natalidade, o papel da província e debates como a escolaridade em casa, a profissão docente e a formação de professores determinam a implementação de reformas educativas (Imagem Ilustrativa Infobae)

O projeto também introduz outros pontos de discussão, incluindo a regulamentação do educação em casarevisão da profissão docente, mais exigências na formação de professores e criação de conselhos de educação com a participação das famílias. São ações que abrem posições conflitantes no mundo da educação, mas, para os observadores, fazem parte da conversa que a Argentina há muito adia.

Os políticos dizem que a educação é o mais importante, mas nunca acabará sendo importante“, disse ele durante a coluna. Segundo ele, a deterioração da educação, a discussão sobre o uso de recursos públicos e as mudanças demográficas estão criando um cenário que nos obriga a reconsiderar o funcionamento do sistema para além das diferenças ideológicas.

Nesse sentido, enfatizou que o verdadeiro desafio não é apenas a aprovação de novas leis, mas a criação de uma política de longo prazo que restaure a qualidade da educação e coloque as escolas no centro da agenda pública. Como retrato desse gol, finalizou com uma proposta simbólica: “Gostaria que, em vez de um torcedor carregando a bola para o meio do campo, um professor com voz alta a carregasse. Gostaria que os professores tivessem na sociedade o lugar que merecem”.

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