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Em busca de reconhecimento: chave para a declaração do governo militar birmanês sobre Suu Kyi

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Banguecoque, 2 de maio (EFE).- O anúncio do governo militar birmanês de que a ex-líder democrática Aung San Suu Kyi irá para prisão domiciliária insere-se na transição política do regime militar, mas ainda está rodeado de incógnitas, porque o partido que ganhou o Prémio Nobel da Paz continua em ruínas e ainda não se sabe para onde será transferido o líder veterano.

Na quinta-feira, o governo militar, liderado pelo general golpista Min Aung Hlaing, anunciou a libertação de Suu Kyi, de 80 anos, e a sua prisão domiciliária, numa amnistia para 1.508 prisioneiros e apenas duas semanas após a libertação do antigo presidente pró-democracia Win Myint, que beneficiou de medidas semelhantes.

Até o momento, nem os advogados nem o partido de Suu Kyi, a Liga Nacional para a Democracia (NLD), puderam confirmar a mudança, pois ainda não têm informações sobre o paradeiro do ex-líder, como disseram à EFE nesta sexta-feira.

Os militares, que ordenaram a prisão de Suu Kyi em 2021 após o golpe, exibiram na quinta-feira uma foto de Suu Kyi na televisão, mostrando-a magra e com rabo de cavalo, sentada na frente de dois guardas, embora não tenha sido possível confirmar a data da gravação.

As autoridades afirmaram ter aprovado a sua transferência para um assentamento, sem fornecer detalhes sobre o local ou confirmar se o seu próximo destino seria a sua casa histórica em Yangon, que se tornou um símbolo da resistência birmanesa depois de passar mais de uma década em prisão domiciliária.

As medidas surgem num momento crítico para o governo birmanês, que procura recuperar a legitimidade internacional mais de cinco anos após o golpe que pôs fim à transição democrática liderada por Suu Kyi, e apenas vinte dias depois de o regime militar ter sido derrubado pela tomada de posse do líder golpista Min Aung Hlaing.

A sua posse ocorreu após eleições organizadas pela liderança militar entre dezembro e janeiro, realizadas num ambiente de repressão nas áreas controladas pelo Exército, que mal controla metade do país e não tem representantes da oposição.

Min Aung Hlaing, suspeito de genocídio pela sua perseguição à minoria muçulmana Rohingya, era o chefe do exército quando liderou um golpe em 2021 que derrubou Suu Kyi e o seu governo, encerrando uma transição democrática de uma década e agravando a guerra civil de décadas no país.

Desde então, a Birmânia mergulhou numa crise sem precedentes e no ostracismo internacional, com mais de 22 mil pessoas ainda detidas e 8 mil mortas às mãos do Exército e das forças de segurança, segundo dados divulgados pela Associação de Prisioneiros Políticos do país.

Numa tentativa de melhorar a sua imagem internacional, o governo birmanês começou a tomar medidas para restaurar o isolamento e, neste contexto, na sexta-feira passada, a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) instou as autoridades militares a libertarem Suu Kyi “no interesse da paz e da verdadeira reconciliação”.

O reconhecimento dos países da região, que tem assistido a um diálogo internacional muito limitado desde o golpe, para além do apoio especial à China, à Rússia e à vizinha Bielorrússia, está a emergir como uma das principais prioridades da administração.

Dias antes, a Tailândia, que acolhe milhares de refugiados birmaneses todos os anos, anunciou que se estava a oferecer para ajudar o governo a normalizar as relações com a ASEAN, onde Naypyidaw foi impedido de realizar cimeiras de alto nível devido à falta de progressos por parte dos líderes militares para pôr fim ao conflito pós-golpe.

Sem confirmação do seu paradeiro ou palavra de que será libertado neste momento, a situação é incerta. A sua transferência poderá aumentar as esperanças de mudança e reavivar o movimento pró-democracia, embora alguns estejam no exílio e, segundo fontes, divididos.

O próximo passo dependerá também de os países da região e do estrangeiro considerarem este comportamento suficiente para continuar a relação com a junta. EFE



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