Cairo, 9 abr (EFE).- Famílias deslocadas e refugiados nos países vizinhos enfrentam uma “fome severa” e uma perda total de meios de subsistência devido à guerra desde 2023 no Sudão, condenou quinta-feira uma ONG.
Uma investigação realizada pelo Conselho Norueguês para os Refugiados (NRC) observou que no Chade, que acolhe mais de 900 mil refugiados sudaneses, mais de 70% das famílias relataram cortes nos alimentos no mês passado, um número que subiu para mais de 80% no Sudão e “aplica-se a um nível semelhante em todo o Sudão do Sul”.
Além disso, no Egipto, onde mais de 1,5 milhões de refugiados foram deslocados, 75% dos agregados familiares também reduzem ou saltam refeições, algo que “prova que a insegurança alimentar se estende para além da zona de migração”.
O NRC lembrou que o Sudão ainda enfrenta a maior crise do mundo, já que mais de 9 milhões de pessoas foram deslocadas, enquanto mais de 3,5 milhões fugiram para países vizinhos como o Chade (900 mil), o Egipto (1,5 milhões), o Sudão do Sul (600 mil) ou a Líbia (mais de meio milhão).
Além disso, em todo o Sudão, quase 29 milhões de pessoas sofrem de fome grave, incluindo mais de 755 mil em condições terríveis.
As ONG relataram que esta crise afecta mulheres e crianças, porque no Sudão, no Chade e no Sudão do Sul, 20% das mulheres não têm acesso a uma casa de banho ou a uma casa de banho, o que é três vezes o número dos homens.
“Apenas uma fracção das famílias deslocadas sente que as suas actuais condições de vida lhes permitem viver com dignidade: até 15% no Sudão, até 25% no Chade e 43% no Sudão do Sul”, afirmou o NRC.
A guerra entre o Exército Sudanês e o grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido (FAR) que começou em 15 de abril de 2023 mergulhou o país na pior crise humanitária do mundo, segundo as Nações Unidas, e segundo os Estados Unidos, cerca de 400 mil pessoas podem ter perdido a vida durante o conflito.















