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Gana confirmou a morte de um cidadão em uma marcha anti-imigração na África do Sul

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Nairobi, 2 jul (EFE).- O Governo do Gana confirmou a morte de um civil ganense num tiroteio ocorrido durante uma marcha anti-imigração na África do Sul, na passada terça-feira, o que poderá elevar para pelo menos dois o número de mortos nestes protestos, depois de uma onda de ataques xenófobos contra imigrantes africanos nos últimos meses.

“O Governo do Gana condena, nos termos mais veementes, este acto de violência sem sentido e a crescente onda de xenofobia contra cidadãos africanos, incluindo ganenses, na África do Sul”, afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Gana num comunicado esta manhã.

O ministério identificou o falecido como Bashiru Isak, 40, que foi morto a tiros na Cidade do Cabo (oeste) durante uma marcha convocada por grupos anti-imigração na terça-feira.

“O Gana apela às autoridades sul-africanas para que conduzam uma investigação completa, transparente e rápida que conduza à prisão e acusação dos perpetradores”, acrescentou.

Ao mesmo tempo que providenciava a repatriação do corpo de Isak para autópsia, o governo do Gana apresentou uma queixa formal ao Departamento Sul-Africano de Relações Internacionais e Cooperação e ao Serviço de Polícia Sul-Africano.

“O Gana seguirá sempre todos os procedimentos diplomáticos, consulares e multilaterais para proteger as vidas dos seus cidadãos no estrangeiro”, afirma o comunicado.

O Governo do Gana emitiu esta mensagem depois de a polícia sul-africana ter confirmado na quinta-feira a morte de outra pessoa durante o protesto, num episódio de assalto nos subúrbios de Alexandra, em Joanesburgo (norte).

O Gana é um dos países do continente que levantou a voz mais alta contra os ataques xenófobos na África do Sul e pediu à União Africana que enviasse uma missão de averiguação ao país no dia 7 de Maio.

Milhares de pessoas saíram às ruas da África do Sul na terça-feira numa marcha convocada por grupos anti-imigração, que deu ao dia um prazo para os africanos indocumentados deixarem o país.

Os organizadores culpam estes imigrantes pelos problemas económicos do país, pelos serviços públicos deficientes ou pelas elevadas taxas de criminalidade, e chegam ao ponto de os impedir de aceder aos cuidados de saúde e à educação nas instituições públicas.

Neste contexto, o Zimbabué, o Gana, a Nigéria, o Uganda, o Quénia, Moçambique e o Malawi repatriaram centenas de cidadãos que solicitaram o seu regresso devido ao medo de ataques xenófobos.

O governo sul-africano, por outro lado, condenou estes ataques, embora tenha confirmado o seu direito de impedir a imigração ilegal.

A perseguição xenófoba de imigrantes africanos é um problema recorrente na África do Sul e tem levado a protestos violentos, especialmente nas zonas mais vulneráveis.

O pior surto xenófobo de que há memória ocorreu em 2008, em que morreram 60 pessoas, enquanto o protesto mais violento deste tipo nos últimos tempos ocorreu no final de 2019, no qual estiveram envolvidos pelo menos 18 estrangeiros. EFE



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