Por meio de ato administrativo assinado na segunda-feira, 6 de julho de 2026, o Presidente da República, Gustavo Petro, destituiu o Ministro da Justiça, Jorge Iván Cuervo, do cargo, 31 dias após a entrega do poder ao novo Governo. O titular da pasta, que assumiu esta dignidade no dia 11 de fevereiro, está no cargo há menos de cinco meses, protestando contra algumas ações do chefe de Estado.
A ‘palha que quebrou o ‘copo’, como diz o ditado Rádio caracol sim Rádio Azul, é a recente entrevista de Cuervo, que evitou os efeitos da política de Paz Total do atual governo e ignorando igualmente a ordem do presidente eleito, Abelardo de la Espriella, que tomará posse no dia 7 de agosto. Sua declaração poderia causar grande irritação aos dirigentes, que lhe pediram a renúncia.

Com efeito, na declaração apresentada como Rádio caracolna manhã de 6 de julho, também indicou que a abordagem de Petro nas negociações com os rebeldes das FARC estava errada. “É errado atribuir-lhes o estatuto de negociação política”, afirmou o ex-ministro, que recordou a recente decisão do Conselho de Estado, que destacou a forma como foi assinada a “violação do acordo de paz”; o que pode causar indignação presidencial.
Cuervo, que anteriormente se opôs à criação de uma assembleia nacional para os membros do Petrorenuncia, tornando-se o quarto ministro em tempo integral a renunciar, já que Petro contou com Néstor Osuna, entre agosto de 2022 e julho de 2024; Ángela María Buitrago, entre julho de 2024 e maio de 2025; e o ex-procurador Eduardo Montealegre, entre junho e outubro de 2025.
A gestão dos funcionários cessantes foi distinguida académica e tecnicamente, onde se distanciou do cargo mais tenso do governo de Gustavo Petro. Desde o início, Cuervo manteve uma instituição e não um Governo, priorizando a independência do Ministério sobre a pressão política do Executivo e denunciando que o problema da impunidade requer uma solução permanente.

Durante seu reinado, Cuervo restabeleceu a Comissão de Reforma da Justiça, com o objetivo de reorganizar o processo e avaliar a ineficiência do sistema penal.. Este esforço procurou adaptar a justiça à nova realidade digital e tecnológica e reflectiu-se na insistência de que estes desafios transcendem o mandato presidencial e não devem estar sujeitos a conflitos políticos.
Um dos destaques de sua gestão foi a sua forte oposição à convocação da assembleia nacionalapresentado pelo presidente Petro. Cuervo confirmou que a grande reforma não exigia esse sistema e criticou o impacto do debate na agenda do ministro, além de proteger a autonomia da Jurisdição Especial para a Paz (JEP) e sua continuação até 2030.
Cuervo saiu após a primeira e única reunião com o futuro ministro da Justiça, o advogado Iván Cancino, na qual discutiram vários problemas da pasta, como o problema penitenciário, que se tornou uma ‘dor de cabeça’ para a atual administração, mas na qual mostrou que conseguiu manter um diálogo amigável com o sindicato do Instituto Nacional e da Prisão.
Perante a sua destituição do cargo de Ministro da Justiça, um dos primeiros a comentar esta decisão foi o representante da Assembleia José Jaime Uscátegui. “Petro demitiu o Ministro da Justiça por dizer a verdade: a Paz Total falhou e é perigoso para a democracia ignorar as eleições e promover a desobediência civil. Cada dia fortalece o chamado de um poder maior. Sempre alertamos sobre isso”, afirmou este parlamentar.















