O primeiro Seminário Internacional sobre Inteligência Artificial e Direitotratado por Instituto dos Advogados do Rio Grande do Sul (IARGS)reuniu entre 18 e 19 de junho de 2026, em Porto Alegrepara especialistas e profissionais de diversas disciplinas, além de funcionários do governo, para debater os desafios legais, institucionais e éticos da inteligência artificial. A reunião, realizada em Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)debateu uma agenda ampla: regulação, governação, direitos fundamentais, justiça, administração pública, saúde, responsabilidade civil, criminalidade e emprego, ambiente, sustentabilidade, transparência na tomada de decisões e dados sensíveis. Essa amplitude de temas reforçou a importância do seminário na instituição nas discussões que hoje atravessam o direito, as políticas públicas, a bioética e a vida social.
Neste sistema, a intervenção de Rabino e acadêmico argentino Fishel Szlajen Permitindo-nos fazer perguntas decisivas, a inteligência artificial exige não apenas regras técnicas, mas também um exame ético preliminar do que a sociedade deve oferecer sem responsabilidade humana.
consultado por InformaçõesSzlajen expressou: “A inteligência artificial é geralmente apresentada como sinônimo de eficiência, inovação e progresso. No entanto, a sua aplicação em áreas sensíveis obriga-nos a fazer perguntas antes de qualquer regra. Não apenas o que a tecnologia pode fazer, mas o que deveria ser permitido fazer. Aqui vemos a importância da reflexão ética que não é uma decoração ou após o desenvolvimento técnico”.

Depende desta linha como funciona. A partir de sua pesquisa, Szlajen desenvolveu o sistema de Limitando a éticapropostas que buscam distinguir competência e autorização, autoridade e responsabilidade, viabilidade técnica e legalidade. Numa altura em que a automação transforma a tomada de decisões humanas num processo confuso, os limites deixam de ser restrições negativas e tornam-se condições de responsabilidade.
Neste sentido, Szlajen destacou: “Esta visão é particularmente relevante para o debate sobre inteligência artificial e direito. Mas quando entram em áreas como a saúde, a justiça, a educação ou a administração pública, a questão da ética torna-se inevitável: quem responde, em que condições são tomadas as decisões e onde é feita a observação humana?“.
A sua intervenção propôs um conceito de tecnologia a partir da responsabilidade e não do mero uso. A Ética do Limite sustenta que o progresso técnico requer uma linguagem moral que possa impedir o sucesso da substituição de julgamentos, a delegação de responsabilidades e a complexidade técnica que funciona como desculpa para o fracasso.
Nesta chave, a sua abordagem não se limita a alertar sobre os perigos da inteligência artificial, mas propôs condições específicas para ordenar a relação entre inovação, poder e responsabilidade. A inteligência artificial exige não apenas melhores padrões, mas também uma compreensão mais profunda do que uma sociedade automatizada não deveria fazer sem consulta ética prévia.

O seu recente reconhecimento do Prémio Konex 2026, Diploma de Mérito em Ética e Bioética, é acompanhado por um trabalho dedicado a pensar questões públicas onde a bioética, o direito, a tecnologia, a religião e a responsabilidade pública se unem.
A presença de argentinos em Porto Alegre, portanto, não deve ser lida apenas como uma contribuição ao aprendizado. Também mostra a possibilidade de ideias originais que podem ser trazidas da Argentina para a discussão global. Numa altura em que a inteligência artificial está a mudar os limites da actividade humana, a ética não pode limitar-se a corrigir os danos que se seguem: deve prever, orientar e estabelecer condições.
Szlajen concluiu: “O debate não é apenas tecnológico ou jurídico, mas de civilização. A questão dos limites volta ao centro porque cada sociedade deve decidir o que quer fazer por si mesma, o que deve ser mantido sob a responsabilidade humana e quais dimensões da dignidade não podem ser combinadas com cálculos”.
Sua participação em Porto Alegre apresentou a bioética argentina a uma discussão com advogados, acadêmicos e especialistas internacionais que falam sobre como avançar com condições éticas, legais e institucionais que possam orientar a inteligência artificial.















