Taipei, 8 mai (EFE).- O presidente do Paraguai, Santiago Peña, condenou sexta-feira os exercícios militares chineses em torno de Taiwan e a crescente “pressão económica” de Pequim sobre a ilha, num encontro bilateral com o presidente taiwanês, William Lai, em Taipei.
De acordo com uma cópia da sua declaração divulgada pelo Gabinete do Presidente de Taiwan, Peña instou a comunidade internacional a reconhecer o “direito à autodeterminação” do povo taiwanês durante o seu encontro com Lai, que recebeu o presidente sul-americano com honras militares.
“A exclusão de Taiwan de fóruns e organizações internacionais relevantes, como as Nações Unidas, não é apenas injusta, mas também mina a legitimidade destas instituições como organizações multilaterais que representam a democracia global”, disse Peña.
Relativamente à China, que considera Taiwan uma “parte inalienável” do seu território, Peña condenou a tentativa de Pequim de bloquear a recente viagem de Lai a Eswatini – o último aliado diplomático de Taipé em África – usando “pressão económica” para forçar Seicheles, Maurícias e Madagáscar a revogar o visto do presidente taiwanês.
“Taiwan tem o direito de interagir livremente com outros países e não deve ser submetido a interferências irracionais destinadas a isolá-lo”, disse o presidente paraguaio, segundo versão publicada pelo lado taiwanês.
Lai, por outro lado, declarou que Taiwan e Paraguai “devem fortalecer ainda mais a cooperação e avançar juntos”, num contexto internacional marcado pela “expansão contínua do autoritarismo”.
“Ambos os países passaram pela mesma experiência de transição democrática e compreendem profundamente que um modo de vida baseado na liberdade e na dignidade não surge de lado nenhum, mas deve ser continuamente praticado, protegido e aprofundado”, afirmou o líder taiwanês.
O presidente do Paraguai chegou quinta-feira à ilha à frente de uma delegação de mais de quarenta empresários, numa visita de Estado que se prolongará até domingo e terá uma agenda económica e política única, e ao mesmo tempo reafirmará a parceria iniciada em 1957.
O Paraguai é o único país da América do Sul e um dos doze do mundo que mantém relações diplomáticas com Taiwan, numa situação em que a pressão da China reduziu significativamente o número de aliados oficiais de Taipei nos últimos anos.
Na verdade, o governo chinês instou esta quinta-feira as autoridades paraguaias a cortarem os laços diplomáticos com Taiwan e a colocarem-se no “lado certo da história”.
Após a estadia em Taiwan, Peña irá para as Filipinas, onde permanecerá até 12 de maio para estreitar as relações diplomáticas e económicas com este país asiático. EFE
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