Beatriz Castañeda Aller
Valladolid, 6 de junho (EFE).- Os sapatos de barco tornaram-se um símbolo de propriedade dos conservadores e a kufiya ou turbante palestino, segundo Ana Velasco Molpeceres, entre os progressistas, a coleção de influências ocultas do vestuário que o autor recolhe no seu novo livro, “Jogos e política.
Das cores vivas de Isabel II às roupas de Angela Merkel, Ana Velasco explica à EFE que não há coincidência na escolha da roupa dos políticos, “é quase a única forma que temos de nos aproximar deles e pensar que os conhecemos”, explica a autora.
Depois de publicar mais de uma dezena de títulos sobre moda em diferentes fases históricas, o novo trabalho de Ana Velasco revela a chave da indumentária da política institucional.
O vestido de Angel Merkel representava a integridade, a masculinidade de Margaret Thatcher, enquanto Elizabeth II usava cores vivas, segundo Velasco, para que “todos” soubessem onde ela estava.
As páginas de seu novo livro mostram que a moda esteve em torno de decisões políticas ao longo da história, mas os pesquisadores apontam que ela se tornou mais importante hoje.
“Os políticos deixaram de dizer qualquer coisa e nós também desistimos”, disse Velasco, que acrescentou que, nesta situação, a “imagem” permanece.
Ana Velasco admite que chegou a este livro “não por o escrever, mas por estudar” e salienta que, sem investigação semelhante, a obra é uma referência para quem se interessa pela “linguagem do poder em torno das aparências”.
No desenvolvimento de sua obra, o autor utilizou imagens de reis do século passado, relatos de acontecimentos históricos, jornais, Bíblias, tábuas de pedra da Mesopotâmia e até leis que proíbem o vestuário.
Velasco admite que ele próprio escolhe bem as roupas com a apresentação dos seus livros, que gosta de “brincar” e divertir-se com os elementos ou tecidos que “vão de cabeça” com os temas que fala.
Talvez a partir desta ideia, para além da apresentação das suas últimas pesquisas na Feira do Livro de Valladolid, o autor admite que já está a pensar na próxima obra, que falará sobre o entretenimento na história de Espanha. EFE















