O saldo de recursos do Governo Gustavo Petro está fechado sob forte pressão devido aos recursos destinados ao setor energético e às obrigações financeiras herdadas. O ministro das Finanças, Germán Ávila, anunciou que entre 2022 e 2026, o Estado destinou mais de 130 mil milhões de dólares entre o financiamento da energia e do gás, a participação no Fundo de Estabilização dos Preços do Petróleo (FEPC) e o reembolso da dívida ao Fundo Monetário Internacional (FMI).
Durante uma apresentação transmitida no canal digital da Presidência, o governante fez um resumo dos principais compromissos financeiros assumidos pela anterior administração. Lá ele explicou que um dos maiores encargos é o financiamento de obras públicas e combustíveis.

Segundo dados fornecidos por Ávila, o custo do fornecimento de energia e gás aumentou significativamente nos últimos quatro anos. Se em 2022 representou US$ 3,9 trilhões, o equivalente a 0,22% do PIB, em 2026 chegará a US$ 7 trilhões, o que equivale a 0,37% do PIB. No total, o Governo destinou 26,7 mil milhões de dólares para este fim durante o período 2022-2026.
No entanto, este montante é apenas parte da pressão financeira relacionada com o sector energético. O ministro destacou que uma das principais responsabilidades é a FEPC, que é uma forma de evitar que o aumento do preço dos combustíveis nacionais como o gasóleo seja diferente do preço internacional.
Segundo Ávila, entre os anos de 2022 e 2026 o Governo disponibilizou 83,9 mil milhões de dólares para cobrir as obrigações deste fundo. A maior pressão concentrou-se no primeiro ano de gestão Petro: em 2022 foram destinados R$ 21,9 bilhões e em 2023 o aporte chegou a R$ 29,5 bilhões. Posteriormente, os recursos destinados à FEPC diminuíram. Em 2025, a despesa será de 7,7 biliões de dólares e em 2026 diminuirá para 3,1 biliões de dólares, o valor mais baixo do período analisado.

Sobre esta situação, Ávila explicou que o Governo acumulou perdas no tesouro devido à diferença dos preços internacionais e dos preços pagos aos clientes durante a administração anterior.
“Durante os últimos dois anos do governo anterior (Iván Duque) o preço da gasolina manteve-se constante, apesar de o preço internacional ter aumentado significativamente. Como resultado, este governo teve que aceitar a diferença de preços desde o início do seu mandato, cobrindo o défice do Fundo de Estabilização dos Preços do Petróleo com recursos do orçamento nacional”, disse Ávila.
O ministro garantiu que a consideração destas obrigações reduz o espaço financeiro disponível para financiar outros programas do Estado. Porém, durante a atual gestão, o preço da gasolina aumentou gradativamente e, em julho de 2026, o preço médio nas 13 maiores cidades do país atingiu US$ 15.848 por galão. Ávila explicou ainda que o projecto de financiamento original para a energia e o gás funcionava através de um modelo de financiamento conjunto para os utilizadores, onde alguns utilizadores disponibilizavam fontes adicionais de receitas para financiar a assistência destinada a outros sectores da população.

“É importante lembrar que o financiamento dos serviços de energia e gás foi considerado como um projecto de subsídio cruzado, onde as compensações pagas por alguns utilizadores financiaram os subsídios dados a outros. Contudo, nos últimos anos, diversas decisões tomadas pelo Congresso da República reduziram estas fontes de dinheiro, pelo que é necessário complementar estes subsídios com recursos do Orçamento Geral do país (PNG).
Segundo responsáveis, muitas isenções aprovadas pelo Congresso afetaram as fontes de financiamento que sustentavam este modelo, pelo que o Governo teve de absorver diretamente grande parte dos custos com recursos públicos. Além das despesas relacionadas com o sector energético, o Ministério das Finanças incluiu no balanço financeiro o pagamento do crédito flexível obtido junto do Fundo Monetário Internacional da administração anterior.
Segundo dados oficiais, entre os anos de 2024 e 2025, a administração Petro destinou 23,1 mil milhões de dólares para cumprir esta obrigação, valor equivalente a 1,25% do PIB. Para Ávila, este compromisso representa também uma pressão adicional sobre as finanças públicas do país.















