Início Notícias Degradação das florestas tropicais está mudando o papel ecológico dos ladrões, segundo...

Degradação das florestas tropicais está mudando o papel ecológico dos ladrões, segundo estudo

22
0

Alicante (Espanha), 9 de março (EFE).- A destruição das florestas tropicais está mudando o papel ecológico das comunidades de vertebrados, segundo um estudo.

Publicada na revista Biodiversidade e Conservação, a pesquisa – liderada pela Universidade Espanhola de Alicante (UA) que incluiu especialistas das universidades espanholas Miguel Hernández (UMH) de Elche e Granada, bem como da Universidade Técnica Particular de Loja do Equador – é uma das primeiras estimativas da densidade das florestas tropicais no sul da floresta tropical. um dos ecossistemas mais ameaçados do mundo.

A equipe científica monitorou sessenta carcaças em diferentes estados de conservação florestal por meio de câmeras. No total, foram registrados treze vertebrados, incluindo seis mamíferos, seis aves e um réptil, que se estima serem pelo menos dezessete espécies.

Os resultados mostram que a floresta bem preservada abriga uma comunidade forrageira mais diversificada, já que foram encontradas até onze espécies diferentes, incluindo aves como o abutre-real (Sarcormphus papa) ou a pega-de-cauda-branca (Cyanocorax mystacalis).

Por outro lado, em ambientes mais degradados, os dados indicam uma comunidade simplificada, dominada por espécies como a raposa Sechura (Lycalopex sechurae), responsável por consumir quase metade das carcaças.

O artigo mostra que as carcaças desapareceram mais rapidamente em habitats degradados do que em florestas bem protegidas.

“Enquanto nas zonas seminaturais a digestão completa demorava mais de três dias, nas zonas degradadas o processo era reduzido a apenas um ou dois dias”, explicou o autor principal do estudo, o investigador do Departamento de Ecologia da UA, Adrian Orihuela-Torres.

Os resultados indicam que algumas funções dos ecossistemas podem ser mantidas apesar da perda de biodiversidade, embora apoiadas por comunidades mais permanentes e possivelmente menos estáveis.

Os comedores de vertebrados – aves, mamíferos e répteis que comem animais mortos – desempenham um papel importante no ecossistema, acelerando a decomposição da matéria orgânica, reciclando nutrientes e reduzindo a propagação de agentes patogénicos.

No entanto, os especialistas da UA observam que “o funcionamento ecológico da floresta seca neotropical tem sido pouco estudado”.

O artigo enfatiza que as florestas mais bem preservadas servem de refúgio para espécies sensíveis e ameaçadas, incluindo espécies raras na região conhecida como Tumbesina, no Equador e no Peru.

Além disso, Orihuela-Torres observou que nestes habitats “observaram pela primeira vez o mau comportamento dos gambás da espécie Marmosa, o que amplia o conhecimento do ambiente destes pequenos marsupiais”.

Os autores alertam que o sucesso das atividades encontradas em áreas degradadas não deve ser considerado como sustentabilidade ecológica, mas como uma reorganização do ambiente em direção a uma comunidade homogênea dominada por espécies exploradoras.

“Este fenómeno está relacionado com a perda histórica de grandes predadores e com as alterações humanas no ambiente”, afirmou o investigador da UA.

Os resultados destacam a importância da conservação florestal bem gerida, não só para proteger a biodiversidade, mas também para manter a complexidade e a estabilidade dos processos ecológicos que sustentam o ecossistema. EFE



Link da fonte

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui