Em muitas cidades da Colômbia, trocar um pneu de carro ou moto costuma ser visto como uma atividade rotineira: ir a um centro de serviço, fazer a troca e seguir seu caminho. O que nem sempre é considerado é o futuro dos pneus gastos que não são mais adequados para rodar. Começam problemas silenciosos que podem acabar afetando bairros, rios, terrenos baldios e até a saúde pública.
Embora seja apenas mais um pedaço de lixo para muitos motoristas, as autoridades ambientais enfatizam há anos que pneus abandonados podem se tornar uma fonte de poluição a longo prazo. Sua estrutura leva décadas para se degradar e, se exposta ao ar livre, pode acumular água, atrair insetos transmissores de doenças e causar danos. em fontes terrestres e hídricas.

Neste panorama, a Colômbia tem apresentado grandes avanços na gestão deste tipo de resíduos. Durante o ano de 2024, o país conseguiu recolher e utilizar cerca de 10,6 milhões de pneus, valor que representa cerca de 94 mil toneladas de equipamentos. Por trás deste número está a cooperação entre empresas, autoridades ambientais, centros de manutenção e consumidores que começaram a compreender que o descarte de pneus tem impacto no meio ambiente.
Segundo a autoridade nacional de licenciamento ambiental, Anla, existem diferentes formas de dar uma segunda vida a estes resíduos. e evitar que se tornem problemas ambientais.
Uma das opções mais utilizadas no país é o uso industrial. Através deste processo, os pneus usados são transformados em materiais que podem ser incorporados em diferentes áreas de produção. Por exemplo, alguns dos seus componentes podem ser utilizados em misturas asfálticas para estradas, infraestruturas, processos energéticos ou aplicações industriais específicas.
Este tipo de reaproveitamento ganhou força nos últimos anos porque não só reduz a quantidade de resíduos, mas também permite aproveitar materiais que de outra forma seriam desperdiçados. Para um país que enfrenta desafios ambientais crescentes, cada tonelada recuperada representa menos pressão sobre os aterros sanitários e o ambiente urbano.

Outra opção que está ganhando força é o reaproveitamento. Em termos práticos, este processo permite renovar a composição de determinados pneus de forma a prolongar a sua vida útil e colocá-los novamente em circulação em condições técnicas seguras. Em 2024, foram obtidos mais de 428 mil pneus deste modelo na Colômbia. A reciclagem é essencial em áreas como frete, logística e veículos comerciais, onde o desgaste dos pneus aumenta constantemente e os custos são importantes. Além disso, do ponto de vista ambiental, prolongar a vida útil dos pneus significa reduzir a necessidade de produção de novos pneus no curto prazo.
É complementado por processos mais especializados, como processamento mecânico ou pirólise. Este último envolve um tratamento termoquímico por meio da quebra de certos materiais para recuperar elementos que poderão ser utilizados posteriormente em novas indústrias. Contudo, o problema continua quando estes resíduos são lançados fora do sistema legal.
Pneus abandonados podem rapidamente se tornar fonte de água em terrenos baldios, seja em áreas rurais ou próximos a fontes de água. Além dos danos ambientais, estes locais podem tornar-se criadouros de mosquitos e outros animais associados a doenças.

Por isso, uma das mensagens mais persistentes das autoridades ambientais refere-se à verdadeira natureza. Na Colômbia existem atualmente cerca de 2.400 pontos de recolha deste tipo de resíduos. Além disso, existem 35 centros de coleta e quatro locais de armazenamento licenciados.
Muitos desses locais podem ser encontrados em oficinas de serviços, oficinas de automóveis, centros de serviços e até mesmo em alguns shopping centers. A ideia é que os motoristas tenham outras opções por perto e não deixem os pneus em locais abertos ou não autorizados.
Numa altura em que o tráfego continua a aumentar e a frota automóvel colombiana continua a crescer, a gestão destes resíduos torna-se mais importante. O que parece ser uma mudança mecânica mundana pode acabar sendo uma decisão que afeta o meio ambiente.















