Nairobi, 7 de maio (EFE).- Os cuidados de saúde no leste da República Democrática do Congo (RDC) estão “à beira do colapso” devido ao conflito, à falta de financiamento internacional que afetou centenas de centros de saúde e à retirada gradual de organizações humanitárias, alertaram quinta-feira os Médicos Sem Fronteiras (MSF).
Segundo ele, a suspensão do financiamento do Banco Mundial – através do Programa Multissectorial de Nutrição e Saúde (PMNS) – deixou mais de 500 centros de saúde na província de Kivu do Sul numa situação difícil, afectando especialmente mulheres grávidas e recém-nascidos.
“Os programas nacionais de saúde contra a malária, a tuberculose, o VIH, a subnutrição e a imunização estão a falhar em muitas áreas devido a restrições de segurança e logísticas e à retirada de financiamento”, acrescentou a organização.
O Hospital Geral de Referência (HGR) de Minova, uma cidade estratégica no Kivu do Sul duramente atingida pela escalada do conflito com o grupo rebelde Movimento 23 de Março (M23), começou a pagar até 100 dólares (cerca de 84 euros) por uma cesariana e 50 dólares por cuidados neonatais.
“Algumas mulheres ficam no hospital por dias ou semanas sem poder pagar, enquanto outras simplesmente se esquecem de cuidar, criando um risco em casa”, disse MSF.
Muitos daqueles que não podem pagar viajam dezenas de quilómetros para chegar a um hospital gratuito como o Numbi, que tem apoio de ONG, mas opera com uma taxa de natalidade superior a 217% no início de 2026.
Diante desta situação, a organização foi obrigada a manter o apoio ao HGR de Minova para evitar uma interrupção repentina dos cuidados, após retomar as atividades de obstetrícia e neonatologia neste mês de março.
“Sem ação urgente e financiamento, os serviços essenciais de saúde poderão entrar em colapso, com um impacto direto na mortalidade materna e infantil em Kivu do Sul”, alertou o coordenador geral de MSF em Kivu do Sul, Issa Moussa.
MSF instou os doadores a reconsiderarem a sua retirada de Kivu do Sul e das partes em conflito para garantir o acesso humanitário seguro às áreas afetadas pelas epidemias de sarampo, cólera e varíola, bem como pelos elevados níveis de violência sexual.
O conflito no leste do Congo intensificou-se no final de Janeiro de 2025, quando o M23 – que apoia o vizinho Ruanda – assumiu o controlo de Goma, a capital da província do Kivu do Norte; e, uma semana depois, de Bukavu, capital do vizinho Kivu do Sul, depois de combater o exército congolês.
Desde 1998, a parte oriental da RDC está envolvida num conflito entre rebeldes e o Exército, apesar da presença da missão de manutenção da paz das Nações Unidas (Monusco). EFE















