Caracas, 7 de maio (EFE) .- Várias ONGs de defesa dos direitos humanos exigiram nesta quinta-feira a abertura de uma investigação na Venezuela sobre o caso de Víctor Hugo Quero Navas, que foi preso em janeiro de 2025 e não foi encontrado até hoje, quando o Ministério dos Serviços Penitenciários confirmou sua morte.
Justiça, Encontro e Perdão (JEP) apelou à “abertura imediata” de uma investigação “independente, completa e imparcial”, de acordo com os padrões estabelecidos no Protocolo de Minnesota sobre investigações sobre possíveis mortes injustas (2016).
“É necessário que a autópsia e demais perícias médicas sejam realizadas por especialistas independentes, com total proteção da cadeia administrativa e acesso aos representantes legais e familiares nos documentos pertinentes”, confirmou a JEP em X.
O Governo informou esta quinta-feira que, após investigação, foi confirmado que Quero foi transferido para o hospital no dia 15 de julho de 2025, após apresentar “grande perda sanguínea e febre alta”, tendo falecido quase dez dias depois devido a “insuficiência respiratória aguda secundária (a) tromboembolismo pulmonar”.
Da mesma forma, garantiu que, durante o processo de sua prisão no presídio de El Rodeo I, próximo a Caracas, Quero “não forneceu dados sobre vínculos familiares e nenhum familiar compareceu solicitar visita oficial”.
A este respeito, a JEP destacou que o “desconhecimento dos laços familiares” de Quero “não sustenta a investigação”, acrescentou, Carmen Navas – sua mãe – fez “muitas regras” perante o Ministério Público e a Provedoria de Justiça para obter informações sobre a situação e o paradeiro dos seus filhos.
Além disso, o Foro Penal destacou que a mãe de Quero foi “várias vezes” ao El Rodeo I e eles “rejeitaram o lugar dela”, algo que ele descreveu como “ridículo”, conforme publicou o diretor da ONG Alfredo Romero, em X.
Na mesma rede social, Marino Alvarado, coordenador de aplicação da lei da ONG Provea, disse que o Ministério Público deve investigar o actual Ministro das Prisões, Julio García Zerpa, o ex-procurador Tarek William Saab e também o ex-provedor de justiça Alfredo Ruiz.
“Devemos lembrar que Víctor Quero Navas foi vítima de desaparecimento forçado. O desaparecimento forçado é uma política de Estado”, disse Alvarado.
Na segunda-feira passada, o vice-presidente do Fórum Penal, Gonzalo Himiob, disse à EFE que Quero foi preso em janeiro de 2025 por funcionários da Direção Geral de Contra-espionagem Militar (DGCIM) perto da praça de Caracas.
Himiob destacou, segundo reportagem da ONG, que o “motivo óbvio” da prisão já estava na antiga instituição de Quero, porque ele “era suposto” ser militar em 2023. EFE















