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Negociadores pedem novas negociações após 25 dias de bloqueios de estradas na Bolívia

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La Paz, 30 de maio (EFE).- A Assembleia Nacional da Bolívia, a Igreja Católica e outros negociadores pediram neste sábado uma nova tentativa de negociação entre o governo de Rodrigo Paz e os setores que exigem a saída do presidente do bloqueio rodoviário iniciado há 25 dias que causou escassez de alimentos e combustíveis.

O gabinete do vice-presidente do país e chefe da Assembleia Nacional, Edmand Lara, fez este apelo, juntamente com a Igreja Católica e a Provedoria de Justiça, para discutir na tarde de domingo no Seminário San Jerónimo, em La Paz, a sede do Governo e da Assembleia Nacional.

O convite afirma que “é necessária a participação do presidente do país, Rodrigo Paz, da Central Obrera Boliviana (COB), da Confederação de Mulheres Camponesas ‘Bartolina Sisa’, da Federação de Departamentos de Agricultores de La Paz ‘Tupac Katari’ e de outras organizações participantes da manifestação.

“A Bolívia atravessa um momento que exige responsabilidade, altruísmo e compromisso com a paz. A falta de diálogo aumenta as diferenças e atrasa as soluções que o povo boliviano exige”, acrescentou.

Os agricultores de La Paz e a COB, juntamente com outras organizações e seguidores do ex-presidente Evo Morales (2006-2019), exigem a demissão de Paz, dizendo que este não cumpriu as promessas do Governo, que também acusam de querer privatizar empresas e serviços, o que as autoridades rejeitaram.

O líder máximo da COB, Mario Argollo e outros líderes sindicais foram acusados ​​de aterrorizar e incitar pessoas a cometer crimes, como resultado dos protestos que levaram a confrontos com a Polícia, motins e saques a escritórios públicos e privados em La Paz.

A comissão de diálogo com os dois ministros reuniu-se na quarta e quinta-feira, mas nenhum representante da COB ou do sindicato dos agricultores compareceu, exigindo a anulação do mandado de prisão dos seus dirigentes, o que aconteceu na sexta-feira devido à ordem do tribunal de La Paz.

A COB se reunirá dentro de algumas horas para definir se participará ou não do diálogo e os dirigentes camponeses deixaram a decisão nas mãos da “base”, embora existam setores mais radicais, como os seguidores de Morales, que rejeitam qualquer negociação e insistem na renúncia de Paz, que assumiu a Presidência em novembro do ano passado.

La Paz e a cidade vizinha de El Alto foram as mais afetadas pelo bloqueio desde 6 de maio, que causou problemas de escassez de alimentos, que aumentaram de preço, além de escassez de combustível, remédios e oxigênio medicinal.

O fechamento de estradas para as regiões de Oruro, Potosí, Cochabamba, Chuquisaca e Santa Cruz e mais de 90 em todo o país foi estendido até a semana passada no sábado, segundo relatório da Administração Rodoviária Boliviana (ABC) dirigida pelo estado.

Na sexta-feira, o Ministério da Saúde conseguiu distribuir 486 oxigénio medicinal a dez hospitais de La Paz e El Alto, mas alertou que se tratava de uma medida “paliativa” e insistiu que os manifestantes pedissem a passagem dos camiões que transportam este abastecimento. EFE

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