O desaparecimento de uma mulher de 52 anos no sul de Bogotá resultou numa nova consciência sobre os riscos que continuam a envolver os procedimentos estéticos na Colômbia. O caso de Yulixa Toloza, que teria desaparecido após se submeter a lipólise a laser numa fábrica no bairro de Veneza, não só causou preocupação entre os seus familiares, como também activou a intervenção das autoridades sanitárias do país.
Em meio à incerteza em torno de seu paradeiro, A Inspeção Nacional de Saúde decidiu intervir oficialmente e solicitou informações à Secretaria Regional de Saúde de Bogotá para estabelecer atividades de monitoramento, fiscalização e controle. Foram realizados no centro de estética Beauty Láser, onde segundo as informações até agora conhecidas foi realizado o procedimento.
A demanda busca reexaminar se a empresa tem obrigação de oferecer esse tipo de intervenção e, além disso, apurar se há histórico de descumprimentos ou alertas anteriores relacionados ao seu funcionamento.
A reacção institucional ocorreu num momento particularmente sensível para o capital. Nos últimos meses, as autoridades de saúde notaram um aumento nas reclamações relacionadas com serviços de beleza ilegais, muitos deles trabalham em locais secretos, sem licença médica ou sob orientação de trabalhadores que não possuem formação profissional.
No âmbito das medidas tomadas, a Superintendência Nacional de Saúde confirmou que será convocado um painel técnico nacional com o Ministério da Saúde e Segurança Social, secretários provinciais, associações científicas e outros órgãos governamentais. O objetivo é rever os protocolos, identificar lacunas nas regras e fortalecer o sistema de prevenção de práticas de saúde que continuam a representar risco para milhares de pessoas.
A empresa fez também um apelo urgente ao reforço da investigação, monitorização e fiscalização activa das empresas que, sem estarem registadas como prestadoras de serviços de saúde, continuam a oferecer cirurgias, tratamentos invasivos e procedimentos corporais através de publicidade nas redes sociais ou recomendações informais. Embora a investigação do caso de Yulixa Toloza esteja avançando, os números anunciados pela Secretaria Regional de Saúde de Bogotá mostram um fato que preocupa as autoridades sanitárias da capital.

Entre janeiro de 2025 e maio de 2026, a empresa recebeu 282 denúncias sobre irregularidades nos serviços esportivos. Desse total, 194 denúncias estão relacionadas a locais de trabalho secretos que funcionam sem autorização legal. O panorama, segundo as autoridades, mostra que a maior parte dos problemas ainda está concentrada no sector informal que oferece métodos fáceis mas não cumpre os requisitos de biossegurança, infra-estruturas ou apoio profissional.
O Secretariado disse detalhadamente que outras 58 reclamações envolveram instituições que prestam serviços de saúde, enquanto 23 estavam relacionadas com prestadores privados e outras sete com empresas cujas actividades económicas nem sequer estão relacionadas com cuidados de saúde. Por trás desses números também estão registros médicos que alarmam a rede hospitalar de Bogotá. Segundo relatórios oficiais, muitos pacientes deram entrada no pronto-socorro com complicações graves após serem submetidos a cirurgias estéticas em ambientes não licenciados.
As condições mais comuns são infecções graves, necrose tecidual e lesões permanentes que, em alguns casos, requerem vários tratamentos subsequentes. As autoridades de saúde garantiram que durante as suas operações encontraram salas de operações secretas a funcionar dentro de casas particulares, apartamentos e lojas construídas de forma personalizada, sem equipamento adequado, sem protocolos de esterilização e sem licenças válidas.

Esta situação obrigou a reforçar o acompanhamento em diferentes locais da cidade. Só no ano de 2025, o Ministério da Saúde realizou 563 atividades, realizou 814 visitas de fiscalização e implementou 39 medidas de segurança sanitária. Até agora, em 2026, a velocidade do monitoramento foi mantida. Até à data, a administração distrital reporta 129 actividades internacionais, 173 visitas de controlo e 16 novas medidas de saúde.
Embora a prioridade atual continue a ser explicar o que aconteceu com Yulixa Toloza e avançar com o seu paradeiro, este caso expôs mais uma vez um problema que vem crescendo silenciosamente em Bogotá e outras cidades do país: a extensão dos processos a locais ilegais sob a promessa de resultados rápidos e baixos custos. Diante deste panorama, as autoridades insistiram que antes de realizar tratamentos corporais ou faciais, os cidadãos devem verificar se a instituição está autorizada e se o profissional responsável está legalmente inscrito em órgãos oficiais como Reps e Rethus.















