Guilherme Azabal
Jerusalém, 10 de maio (EFE).- O ativista hispano-palestiniano Saif Abukeshek e o brasileiro Thiago Ávila, membros da Flotilha Global Sumud (GSF), foram libertados e deportados no domingo, após 6 dias de prisão em Israel e os demais dias de detenção em alto mar, o que cabe ao centro de direitos humanos Adalah, que “expressou muito claramente” a mensagem.
“Ele veio dizer a qualquer um: se você simpatiza com a Palestina, Israel irá puni-lo por transmitir sua solidariedade. Mesmo que Israel não tenha o poder ou a autoridade para fazer isso. Vimos como o direito internacional e o Estado de direito foram escritos, então Israel enviou esta mensagem”, disse o advogado Hadeel Abu Salih, de Adalah, à EFE por telefone.
Houve alívio na voz de Abu Salih depois que os dois ativistas da Flotilha deixaram Israel, que disseram ter sido espancados, torturados e ameaçados pelas autoridades israelenses durante esses dias, mas esse sentimento é misturado com a “preocupação” de que “desta vez Israel tenha se tornado mais avançado”.
“Nunca teríamos imaginado que Israel os iria raptar em águas internacionais”, afirmou Abu Salih, acrescentando à operação de detenção dos barcos e detenção dos activistas – que tentavam destruir a barreira marítima israelita na Faixa de Gaza – levada a cabo pela marinha israelita ao largo da costa de Creta, a mais de 1.000 quilómetros dos territórios palestinianos destruídos.
Sobre a notificação da libertação e deportação de Abukeshek e Ávila, o advogado disse que o Shin Bet (agência de inteligência doméstica israelita) informou-os ontem que vão deixar o país e enviou-os para a Autoridade de População e Migração (PIBA) de Israel, mas não respondeu às suas perguntas.
“Talvez tenha sido por causa do sábado”, feriado dos judeus em Israel, disse Abu Salih, que garante que acabaram por saber que a expulsão vinha através de um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita, no qual os activistas foram descritos como “provocadores profissionais”.
“Pensamos que foram libertados ontem porque tiveram que ser transferidos para a Autoridade de Imigração e depois realocados. Mas isto também é ilegal, porque não podem ficar sob custódia da PIBA, porque estas duas pessoas não tentaram entrar em Israel, foram levadas contra a sua vontade e, portanto, não têm autoridade para detê-las”, disse Abu Salih.
Nenhuma acusação formal foi apresentada contra Abukeshek e Ávila durante esses 6 dias e eles enfrentaram até 30 dias de prisão, de acordo com a lei israelense para pessoas sob investigação.
O Shin Bet indicou ao Tribunal de Askelon (sul) que há “suspeitas” sobre os activistas de que tenham algum tipo de ligação com uma “organização terrorista” – e a este respeito mencionaram então o grupo islâmico palestiniano Hamas; que poderiam “dar serviço”; “cooperação de guerra”; comunicou-se com embaixadas estrangeiras; ou “material manuseado para fins terroristas”.
“Não deram nenhuma prova. A maior prova de que tudo isso não aconteceu foi a sua libertação. Porém, a polícia pediu três vezes ao juiz para detê-lo. É uma pena”, disse o advogado.
“O interrogatório baseou-se no seu trabalho humanitário, nunca foram questionados sobre o Hamas porque sabiam que tal coisa não existia”, explicou.
Abu Salih confirmou que, segundo a sua explicação, é intenção de Israel “trazer à tona o caso para perseguir toda a unidade do povo palestino, que tem sido fortemente bloqueada até mesmo através do sistema legal”.
“Isto não é novidade, há casos como este o tempo todo em Israel, na Cisjordânia e em Gaza. A diferença agora é que trataram os cidadãos estrangeiros da mesma forma”, concluiu o advogado.
Adalah garante agora que estão prontos para representar outros activistas da Flotilha que possam ser enviados e detidos em território israelita para interrogatório.
O GSF já trabalha para recolher até 57 barcos na Turquia para continuar navegando para Gaza com membros que, em alguns casos, foram presos anteriormente por Israel, mas retornaram com novas tentativas. EFE















