Numa reunião informal de Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) realizada na quarta-feira em Washington, México, para resolver a crise na Bolívia através do diálogo político e sem intervenção externa.
O representante permanente do México perante a organização, Alejandro Encinas Rodríguezé categoria: “O México faz um apelo respeitoso para priorizar o diálogo político, evitar todas as formas de violência e repressão e comunicar as demandas sociais através de sistemas institucionais e democráticos”.
A posição mexicana deixou claro que é compatível “para que o povo boliviano em particular, através das suas instituições democráticas e sem interferência externa, determine o curso da sua vida política”em comunicado que confirma princípios históricos da política externa do México: autodeterminação do povo, não intervenção e resolução pacífica de conflitos.
O que está acontecendo na Bolívia?
A sessão OEA Foi convocada com urgência face à pior crise política que a Bolívia enfrentou nos últimos anos. O protesto convocado pela Central Obrera Boliviana (COB), sindicatos e agricultores começou no início de maio de 2026, com reivindicações económicas como o aumento salarial de 20%, a melhoria do abastecimento de combustíveis e a revogação da Lei 1720.
Os protestos começaram com exigências de revogação da Lei de 1720, que promove o financiamento de terras comunitárias e afecta os pequenos produtores, mas rapidamente levaram a questões mais amplas sobre o governo. Agora, o cerne da reivindicação daqueles que foram movidos é a renúncia do presidente Rodrigo Pazque está no poder há apenas seis meses.
Durante a sessão, ocorreram 47 confrontos e os protestos se espalharam por seis dos nove departamentos do país. Com quase todas as estradas de acesso cortadas, os mercados de La Paz viram o preço dos alimentos perecíveis subir, enquanto os hospitais enfrentam problemas de abastecimento e o combustível é escasso.

O governo boliviano decidiu internacionalizar o conflito e o ministro das Relações Exteriores, Fernando Aramayo, apresentou uma queixa oficial à OEA, descrevendo os protestos como um ataque ao sistema democrático e à integridade das instituições do Estado.
Por meio de videoconferência, Aramayo detalhou a violência registrada em La Paz, incluindo confrontos com a polícia, ataques a instituições governamentais, estações de transporte e ataques a cidadãos.
Apesar da pressão, o governo boliviano descartou a possibilidade de renúncia do presidente Rodrigo Paz.

A posição do México contrasta com a de outros países da região. Numa declaração conjunta, oito países latino-americanos – Argentina, Chile, Costa Rica, Equador, Guatemala, Panamá, Paraguai e Peru – rejeitaram qualquer medida para perturbar a ordem democrática e mudar as instituições do governo boliviano. Houve também declarações da Casa Branca, da União Europeia e de mais de 30 ex-presidentes da América e da Espanha.
O México, por outro lado, optou pela neutralidade: apelando à paz e ao diálogo sem apoiar diretamente nenhuma das partes, fiel à sua tradição diplomática de não intervenção.
Encinas enfatizou perante a organização hemisférica que devem ser tomadas medidas para resolver a crise “Está em perfeita harmonia com a constituição boliviana, o Estado de direito e o pleno respeito pelos direitos humanos”e representou o desejo do México “Prevalecem a paz social, o pleno respeito pelos direitos humanos e o diálogo construtivo e pacífico entre todos os intervenientes”.















