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Marcha do Orgulho em São Paulo pede proteção dos direitos LGBT no referendo

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São Paulo, 7 de junho (EFE).- O público brasileiro participou neste domingo da Parada do Orgulho de São Paulo que, quatro meses antes das eleições brasileiras, foi marcada por fortes vozes políticas e apelos à proteção dos direitos da comunidade LGBT nas urnas.

A marcha, que estava na sua 30ª edição e reuniu centenas de milhares de pessoas, tinha como lema “chamar as ruas, fortalecer as urnas”, e estava repleta de mensagens políticas para evitar retrocessos na protecção dos direitos do grupo.

Percebendo o tom político do desfile, o jovem Wesley Araújo chegou vestindo terno preto e uma faixa com as cores da bandeira brasileira no ombro, semelhante à usada pelo presidente em sua posse.

Araújo disse que, embora a comunidade LGTB+ no Brasil pareça ter os seus direitos “garantidos”, tal não é o caso, e destacou que “o maior problema” está na Câmara dos Deputados, onde existe um projeto legislativo que propõe impedir o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

“É um perigo para os nossos direitos. Portanto, precisamos ter cuidado com esses projetos para detê-los e mostrar que existimos, que estamos na oposição aos nossos direitos”, disse à EFE.

Outra jovem, Raissa Gomes, alertou que, “com o avanço dos direitos, existe um grande perigo” de que os direitos que já adquiriram sejam “tirados”.

“Quando Jair Bolsonaro (2019-2023) foi eleito, houve uma onda de ataques às pessoas LGBT nas ruas. Ele demonstrou medo, além de recuar na lei, demonstrou certo medo e aceitação para que nos torturassem”, disse Gomes, com lágrimas nos olhos.

O Brasil é o país com maior número de pessoas mortas pela violência contra a comunidade LGBT no mundo, com 204 assassinatos no ano passado, segundo dados do Grupo Gay Bahia, estatísticas que confirmam a diminuição do número de mortes a partir do recorde de 387 assassinatos registrados em 2017.

No início do desfile, a intérprete representativa Érika Hilton pegou o microfone do carro alegórico, onde anunciou que há 30 anos membros da comunidade saem às ruas de São Paulo para enfatizar que “suas vidas importam”.

“Ocupamos as ruas com alegria, coragem, talento, paciência e continuaremos a condenar a violência que destrói a nossa sociedade (…) Não há vida. Queremos viver, queremos festejar, não vamos voltar para o armário”, disse.

No ambiente político anterior às eleições de Outubro, a Parada do Orgulho deste ano registou uma diminuição significativa do número de apoiantes, o que levou à redução do número de carros alegóricos, que misturaram os sons de protesto e celebração.

Na programação de artistas, Pabllo Vittar, famosa cantora do grupo, se destacou entre dezenas de cantores e DJs, que animaram o centro da Avenida Paulista com um som ensurdecedor.EFE

(foto) (vídeo)



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