A greve dos agricultores que dura cinco dias na Colômbia está a provocar bloqueios em muitas partes do país e tem maior impacto em Santander, onde há uma interrupção significativa da actividade económica.
Segundo comunicado da Federação Nacional dos Comerciantes (Fenalco), As perdas económicas neste departamento situam-se entre 80 mil e 120 mil milhões de dólares por dia, no encerramento de estradas, restrições à circulação e dificuldades no transporte de mercadorias.
A origem do protesto está relacionada com a revisão da avaliação cadastral do Instituto Geográfico Agustín Codazzi (Igac), que levou a um aumento do imposto predial que, segundo os manifestantes, chega a 300%.
Este aumento foi considerado pelos agricultores, o sindicato agrícola e o gabinete da inspecção dos cidadãos como financeiramente insustentáveis, o que criou obstáculos em muitos corredores estratégicos.
Em Santander, a situação levou à falta de transporte terrestre. O bloqueio se concentra no corredor que liga Bogotá, costa caribenha, Antioquia e Norte de Santander, o que reduziu a operação da estação de transporte de Bucaramanga para cerca de 10%.
Soma-se a isso a dificuldade de acesso ao Aeroporto Internacional de Palonegro, onde mais de 60 voos foram cancelados e cerca de 7.500 passageiros foram afetados pela impossibilidade de chegar ao aeroporto.
A Fenalco referiu no seu comunicado que “o impacto no comércio normal é grave e compromete a integridade de milhares de empresas”, e alertou que “a continuação do bloqueio pode causar ainda mais danos à actividade económica regional”.
O sindicato também expressou isso “Perturbações na cadeia logística provocam atrasos na distribuição de produtos e matérias-primas essenciais”.
Segundo o documento, o impacto não se reflete apenas na diminuição das vendas, mas também no aumento dos custos operacionais para os retalhistas que enfrentam dificuldades no fornecimento dos seus produtos. “A venda funciona com estoque limitado e não há garantia de reposição do produto”, afirma o comunicado, que alerta ainda para o possível impacto nos preços ao consumidor caso a situação continue.

O setor pecuário é um dos mais afetados. Segundo os números mencionados na greve e recolhidos pelo sindicato, quase 10 milhões de ovos e 1.500 toneladas de carne de frango ainda estão retidos sem chegar ao ponto de consumo. Esta situação também tem causado dificuldades no fornecimento de alimentos para as aves, o que põe em risco a produção e a saúde dos animais.
A Fenalco alertou que “a impossibilidade de mobilização de matérias-primas afecta a sustentabilidade da avicultura”, acrescentando que existe o risco de novas perdas caso o corredor logístico não possa ser aberto num curto espaço de tempo. O sindicato também apontou para o impacto potencial no abastecimento de alimentos a nível regional e até nacional se as restrições continuarem.
O impacto estende-se também ao setor do turismo, que regista cancelamento de reservas, diminuição do alojamento hoteleiro e diminuição de visitantes. Comerciantes de diversas atividades relataram queda na demanda devido às restrições de circulação dentro do departamento.

O Governo Nacional propôs a possibilidade de o prefeito ajustar a taxa do imposto predial a nível municipal, mas os manifestantes argumentaram que o problema vem da política cadastral nacional. Esta diferença dificultou a construção de um consenso e paralisou o diálogo.
Uma nova mesa técnica será realizada nesta terça-feira em Bucaramanga, que visa eliminar o conflito e avaliar a abertura dos corredores para as pessoas.S. No entanto, até agora o bloqueio continua e a movimentação no departamento continua limitada, sem solução concreta no curto prazo.
A Fenalco concluiu com sua declaração “É urgente encontrar uma solução que nos permita restabelecer a normalidade e garantir o abastecimento”, alertando que a continuação da greve aumenta as perdas económicas e os impactos em vários sectores produtivos. Ao mesmo tempo, a situação em Santander não mudou significativamente e tem um efeito cumulativo na economia regional.















