Um dos jogadores mais marcantes da década de 90 no futebol colombiano, Carlos Alberto Valderrama, mais conhecido pelos torcedores como “El Pibe”, apelido que recebeu do companheiro de seleção argentino de seu pai, revelou detalhes de sua vida em entrevista a Andrés Cantor.
Durante a conversa, Samario falou sobre os times que substituiu na Colômbia, Deportivo Cali e Junior de Barranquilla pelos quais o ex-meio-campista mais demonstrou carinho.
Falando sobre como foi jogar no Valle del Cauca nas décadas de 80 e 90, Valderrama admitiu que em determinado momento de sua carreira foi tentado pelos irmãos Rodríguez Orejuela, líderes do cartel de Cali que investiram parte de seu capital na América.
“Rodríguez Orejuela te disse: acrescente o valor que quiser ao seu contrato, assine aqui. É verdade?”— perguntou Cantor, ao que se seguiu uma curta resposta de “Pibe”: “Disse-lhe que não, porque sou do Deportivo Cali”.

O repórter perguntou a Valderrama se ele sabia quem eram os irmãos Rodríguez Orejuela, inimigos de Pablo Escobar.
“Não, sou do Deportivo Cali. Eu disse a ele: meu sangue é verde”, respondeu Samario, que admitiu que o discurso foi feito com um mensageiro do cartel de Cali enviado por Miguel Rodríguez Orejuela.
“A um médium, com quem falei sem medo, disse-lhe que mandasse uma mensagem: ‘Diga a ele que meu sangue é verde’“, reafirmou o jogador da Copa do Mundo com a Colômbia em 1990, 1994 e 1998.
Reconhecendo o poder económico da América na altura, Valderrama reivindicou justiça parcial durante um confronto com o rival Cali no Valle del Cauca.
Por outro lado, Valderrama destacou que é difícil jogar na era do tráfico de drogas na Colômbia, por isso o clássico jogo Valle del Cauca é difícil.
“O árbitro apitou duas vezes, em 85 e 86. Toda a Colômbia sabe disso”destacou Valderrama, que disse não ter medo de ser agredido por traficantes de drogas ao se recusar a ser reforço do América de Cali.
Na mesma conversa, Valderrama admitiu que em 1994 recebeu uma oferta no valor de dois milhões de dólares para cortar o cabelo, mas recusou porque não tinha necessidades financeiras na altura.
“Eu decido minha vida. Sempre joguei assim. Eu respondo minha história. Minha história é minha. Meu cabelo cresceu porque eu deixei crescer, contra tudo. É uma cor diferente, um formato diferente, mas está lá.”

Valderrama também viveu uma das páginas mais sombrias da história do futebol colombiano após a Copa do Mundo de 1994, onde a Colômbia era favorita ao título e acabou eliminada na fase de grupos.
Como capitão daquela equipe, Valderrama estava ciente da ameaça que Francisco Maturana representava e deixou Gabriel “Barrabás” Gómez, irmão de “Bolillo” Gómez, como titular.
Da mesma forma, admitiu que antes de ir para a Colômbia foi solicitado que permanecessem alguns dias nos Estados Unidos para evitar qualquer tipo de ataque, recomendação que Andrés Escobar, morto ao sair de uma casa em Antioquia em 2 de julho de 1994, não seguiu.
Lembre-se daquela vez, Valderrama disse que foi alertado por comissários de bordo que retornaram à Colômbia e inicialmente pensaram que Faustino “Tino” Asprilla era a vítima, e não o zagueiro central.















