Lima, 15 jul (EFE).- A intenção de aumentar o investimento na mineração e bloquear o novo projeto de governo da presidente eleita do Peru, a direitista Keiko Fujimori, pode causar tensões na província e provocar conflitos sociais nos próximos anos.
Isto concluiu o 38º Observatório sobre o conflito mineiro no Peru no primeiro semestre de 2026, que indica a existência de um “novo sector mineiro” caracterizado pelo dinamismo e prosperidade mas também pela perda da soberania nacional e pela expansão da mineração ilegal.
Num contexto de aumento dos preços internacionais da mineração, até 2026, o sector mineiro registou um investimento de 1,5 mil milhões de dólares, um aumento de 43,7% em relação a 2025, com 67 projectos activos.
O relatório revela que o cobre é o metal rei (71% do total) e a maior parte dos investimentos está no sul (45,5%), contra 37% no norte e 17,2% no centro.
Segundo o ex-vice-ministro do Meio Ambiente e representante da CooperAcción, José de Echave, parece que o próximo governo quer incentivar ainda mais o potencial da mineração no país andino.
Neste sentido, lembrou que a equipa de Keiko Fujimori prometeu bloquear e atrasar os projectos mineiros para incentivar o investimento, o que poderia baixar os padrões sociais e ambientais, e causar tensão na província.
“Entraremos nos cinco anos em que o contributo da mineração será a implementação da maioria dos projectos mineiros. A previsão que utilizamos, considerando a história recente, é o aumento dos conflitos no território e isso irá manifestar-se em conflitos sociais”, disse De Echave.
Além disso, observou que algo semelhante aconteceu durante o segundo governo do ex-presidente Alan García (2006-2011), quando a tentativa de priorizar muitos projetos coincidiu com o aumento dos conflitos sociais.
Na verdade, a pesquisa revela que o sul, onde há mais mineração, é a região onde Fujimori recebeu menos apoio nas eleições.
“Este desequilíbrio entre o peso das áreas mineiras e a representação política é considerado pela OCM como um factor perigoso: o projecto atinge zonas que não apoiaram o governo nas eleições, o que poderá causar agitação social”, disse.
Outra conclusão do relatório é a “tendência preocupante” no andamento das licenças de mineração em regiões amazônicas como Ucayali, Loreto e Amazonas, algo que não deveria acontecer devido ao impacto ambiental.
Neste sentido, o relatório alerta que as políticas de concessão devem ser revistas porque se baseiam em leis com 35 anos e favorecem a sua preservação.
Na verdade, apenas 1% dos titulares de licenças mineiras controlam mais de 50%.
Alertaram também que haverá cada vez mais conflitos entre os mineiros ilegais ou ilegais da comunidade e as grandes empresas mineiras.
Por exemplo, alertaram que a presença de garimpeiros ilegais no território amazônico faz com que os povos indígenas aceitem essas gangues, pois perderam a soberania sobre parte da Amazônia. EFE















