La Paz, 21 abr (EFE).- O Governo da Bolívia apresentou esta terça-feira o Orçamento Geral Público (PGE) atualizado para 2026, que prevê um défice fiscal de 9% e uma inflação de 14% como parte do “cenário realista” da crise económica, onde a falta de divisas continua desde o início do ano. 2023.
A PGE proposta pelo governador Luis Arce (2020-2025) antes do fim de sua gestão em novembro do ano passado, que ainda está em vigor, foi devolvida pelo Executivo de Rodrigo Paz e foi apresentada publicamente hoje para apreciação do Legislativo na quarta-feira.
O ministro da Economia, José Gabriel Espinoza, disse que o primeiro cálculo da perda “poderia ter ultrapassado os 15%” do Produto Interno Bruto (PIB) se não houvesse “bases sólidas e pressupostos claros” relativamente às contas feitas pelo Governo Arce.
Espinoza explicou que entre as razões para esta redução de seis pontos estão a eliminação dos subsídios aos combustíveis em dezembro, em vigor há mais de 20 anos, estimados em 5% do PIB, e a “redução do orçamento público” por parte do Governo de cerca de 4,1 mil milhões de bolivianos (585 milhões de dólares), o que equivale a 1%.
Da mesma forma, ele observou que o PGE revisado é superior a US$ 390 bilhões (US$ 55.714 milhões).
O ministro disse que a lei financeira do governo anterior era “excesso de receita, despesa excessiva e investimento fantasma”, aspectos que foram corrigidos para dar “realismo” ao orçamento.
Citou o caso de mais de 24 bilhões de bolivianos (3,428 milhões de dólares) em “lag” e 4,8 bilhões de bolivianos (685 milhões de dólares) em projetos que, por diversos motivos, “não puderam ser realizados”, entre outros aspectos.
Espinoza referiu ainda que a inflação projetada para 2026 é de 14%, contra os 20% registados em 2025, e o PGE revisto prevê um aumento de “pouco menos de 1%”, valor que corresponde ao “pior cenário de gestão económica”.
A previsão do Governo boliviano contrasta com a do Fundo Monetário Internacional (FMI), que estimou uma queda de 3,3% do PIB em 2026, enquanto o Banco Mundial previu uma queda de 3,2% na economia da Bolívia.
Pelo contrário, o ministro destacou que o governo terá mais de 1.000 milhões de bolivianos (142,8 milhões de dólares) para criar algo sobre saúde, educação e segurança.
Espinoza acrescentou que, com a lei da PGE revista, o regulamento será submetido à Assembleia Nacional para que “o governo tenha mais liberdade” na execução do seu orçamento, além de poder fechar e liquidar empresas públicas de risco.
A Bolívia atravessou durante alguns anos uma crise económica que começou a manifestar-se no início de 2023 devido à falta de liquidez em dólares, o que coincidiu com a diminuição do seu RIN para 3.148 milhões de dólares, face ao recorde histórico de 15.122 milhões registado em 2014.
Esta terça-feira, o Instituto Nacional de Estatística (INE) informou que, em 2025, a economia da Bolívia crescerá 1,58%.















