A crise financeira e sanitária marca a avaliação do ex-ministro da Fazenda José Antonio Ocampo sobre o encerramento do governo de Gustavo Petro. Na sua avaliação, este ex-funcionário confirmou que o governo está a deixar uma sociedade mais prejudicada, políticas sociais com instituições públicas enfraquecidas e uma dívida pública que atingirá este ano o nível mais alto da história.
Ocampo, através de uma coluna de comentários para El Tiempo chamada “Avaliação do governo Petro”, descreveu o período como um “governo complexo” e disse que tem diferentes fases, desde a primeira fase de uma ampla coligação política até outras dominadas por conflitos e governação frágil. Segundo a ex-ministra da Agricultura Cecilia López, ela observou que “a grande lacuna entre o programa do candidato e a execução do presidente é indiscutível”.
A distância, segundo ele, traduziu-se em danos políticos e institucionais. Observou que o Governo deixou uma “sociedade mais quebrada”, com crise no sistema político, graves problemas de segurança e deterioração da administração pública.

No lado social, reconheceu a continuação da redução da pobreza em muitas áreas, uma tendência que, se bem nos lembramos, vem da constituição de 1991. Mas acrescentou que o progresso tem coexistido com o fosso crescente entre o mundo rural e urbano, uma crise profunda no sistema de saúde e um péssimo resultado na habitação popular.
Ele também disse que o declínio da pobreza financeira e do desemprego é uma tendência positiva. Contudo, alertou que no primeiro caso a distância entre o meio rural e o urbano voltou a aumentar e no segundo o crescimento do trabalho informal e ilegal aumentou, juntamente com a altura. “cerca de metade da população trabalha nas cidades” e “mais de quatro quintos da população nas zonas rurais”.
Diante disso, questionou o funcionamento da Reforma Trabalhista e o aumento do salário mínimo, que é de 23,7% em 2026 e passou para 2.000.000 de dólares mensais. José Antonio Ocampo guardou A decisão beneficiou um pequeno grupo, “os de baixa renda”, e acrescentou que havia poucos programas sociais que realmente ajudassem a reduzir a pobreza financeira e não houve progresso na meta.

Da mesma forma, disse que o país está conseguindo uma política social com pouca força institucional. Este ponto preenche a balança onde bons indicadores sociais não são suficientes, na sua opinião, para compensar o fracasso da saúde, da habitação e da qualidade do trabalho.
Para ele, do lado econômico, Ocampo aceitou as duas principais correções dos desequilíbrios herdados: o balanço de pagamentos e o Fundo de Estabilização dos Preços do Petróleo (Fepc). Entre os resultados positivos, incluiu um aumento incomum nas exportações, embora tenha destacado que não houve nenhuma política governamental destinada a promovê-las.
Esse melhor desempenho externo, diz ele, enfrenta agora novas pressões. De acordo com a pesquisa, A desvalorização do peso e o aumento do salário mínimo atingiram tanto as exportações tradicionais como os sectores concorrentes das importações, com o salário mínimo a subir mais de 40% em termos de dólares.
Ocampo descreve também a recuperação económica após a contracção de 2023, que ocorreu após o calor extremo de 2022. Mas esta activação, disse ele, “progrediu com sinais negativos: queda nos sectores mineiro e de construção, atraso na recuperação da produção e investimento muito baixo”.
Soma-se a isso a destruição da agricultura que, segundo ele, será agravada pela seca causada pelo El Niño. Na mesma linha, alertou para os potenciais riscos para o fornecimento de electricidade devido ao lento crescimento da capacidade de produção durante este governo e à crescente escassez de gás. Outro foco de pressão macroeconômica é a volta da inflação (6,14% em junho, segundo Dane). Este comportamento, disse, levou o Banco da República a aumentar a taxa de juro (12%), numa situação em que muitos sectores da economia ainda estão em crise.
Para Ocampo, o ponto mais sensível do legado económico está nas contas públicas. “O governo está saindo de uma profunda crise financeira”, Disse e atribuiu este resultado ao aumento das despesas operacionais, enquanto o investimento público, na sua opinião, tem tido um desempenho muito fraco.
O diagnóstico baseia-se na dimensão do desequilíbrio recente. Confirmou que o país apresenta um grande défice fiscal desde 2024, um dos mais elevados da América Latina, e que a dívida pública atingirá este ano o seu recorde histórico. Mesmo nessa tabela ele incluiu as nuances do comportamento do mercado de ações. Observou que as taxas de juro da dívida pública interna e externa diminuíram devido aos resultados das últimas eleições, embora tenha deixado aberto o alerta sobre o futuro: a continuação desta tendência dependerá dos ajustamentos financeiros definidos pelo novo governo.















