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O jornalismo continua sendo um “grave risco” em Honduras, com 103 assassinatos desde 2001

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Tegucigalpa, 3 de maio (EFE).- A persistência de altos níveis de impunidade e a ausência de sistemas de prevenção e proteção mantêm o jornalismo como uma atividade de “alto risco” em Honduras, com 103 assassinatos relacionados à mídia entre 2001 e 2026, alertou neste domingo a Comissão Nacional de Direitos Humanos (Conadeh).

Durante o dia internacional da liberdade de imprensa, o departamento governamental confirmou num comunicado que “sem imprensa livre não há democracia nem justiça” e o dever do Estado é “proteger” aqueles que procuram a verdade para garantir uma “sociedade transparente e participativa”.

Conadeh explicou detalhadamente que em 2025 respondeu a 208 denúncias por violações da liberdade de pensamento e expressão, incluindo casos de difamação, insultos, danos à imagem, honra e reputação, divulgação de informações pessoais, restrição do direito de expressão e censura à imprensa.

O espaço civil e mediático nas Honduras, acrescentou, mostrou durante o ano de 2025 a “forma de assédio e intimidação” dos jornalistas, das relações sociais e dos meios de comunicação, com ameaças, ataques, campanhas difamatórias, violência digital e ações legais utilizadas como meio de coerção. AMIN I

A organização alertou ainda que parte destes discursos depreciativos e ações coercivas foram proferidas a responsáveis ​​governamentais e altos comandantes militares, que, na sua opinião, “fortalecem o efeito da intimidação” devido ao peso da sua posição e ao poder das instituições governamentais.

De acordo com os registos do Conadeh, entre os anos de 2001 e 2026, Honduras viu 103 mortes em violência mediática, das quais 88% não foram punidas e apenas 12% têm condenações.

A vulnerabilidade do setor é destacada entre 2022 e 2025, período em que o país centro-americano cometeu 13 assassinatos de trabalhadores da mídia, dos quais apenas três resultaram na condenação das autoridades, segundo dados do grupo de proteção.

Ele argumentou que denúncias, campanhas difamatórias, violência digital, pressão para divulgação de fontes e discurso difamatório podem criar formas indiretas de censura e criar uma atmosfera de censura incompatível com o direito ao debate público “livre e robusto”.

Acrescentou que o dever do Estado não se limita ao reconhecimento legal da liberdade de expressão, mas exige “medidas adequadas para prevenir a violência contra jornalistas, não difamar” e respeitar a confidencialidade das fontes de informação.

A organização também anunciou que mais de 80 meios de comunicação do país sofreram a morte de um ou mais funcionários. EFE



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