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‘Homens que cuidam, homens que sentem’: o testemunho da paternidade na Bolívia

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Gina Baldivieso

La Paz, 26 de julho (EFE).- Imagens do cuidado responsável e compartilhado das crianças na Bolívia e na Suécia são exibidas todos os dias em uma exposição fotográfica em La Paz, o que, segundo seus organizadores, comprova a “mudança social” que exige maior envolvimento dos homens no cuidado das crianças.

‘Homens que cuidam, homens que sentem’ é o nome do concurso organizado pela Embaixada da Suécia e pela Oxfam Bolívia, onde doze fotografias foram selecionadas e expostas no Museu Nacional de Etnografia e Folclore da Bolívia (Musef), juntamente com as fotografias da fotógrafa documental sueca Elin Berge.

O concurso nasceu da exposição ‘Paternidade, uma oportunidade para a igualdade’ que o Instituto Sueco fez com a imagem de Berge, com a ideia de que a importância das relações estreitas com as crianças também ressoa na Bolívia, disse à EFE Hans Magnusson, chefe de cooperação da Embaixada da Suécia em La Paz.

Magnusson disse que a lei sueca permite que mães e pais partilhem 480 dias de licença parental remunerada desde 1974, reconhecendo que cuidar é um trabalho partilhado.

Este diplomata destacou a importância de uma boa comunicação com as crianças desde a infância para lidar bem com a fase da adolescência, que pode ser difícil sem confiança.

A diretora da Oxfam na Bolívia, Lourdes Montero, explicou à EFE que o concurso marcou o encerramento de um projeto daquela organização e da Embaixada da Suécia no cuidado de crianças e “colaboração” nestes trabalhos.

O evento apelou aos fotógrafos profissionais e amadores para “registarem a vida quotidiana, com esta mudança social que está a acontecer não só nos países do norte como a Suécia, mas também na Bolívia”, sobre “como os homens estão envolvidos em todo o trabalho de cuidado”, disse Montero.

O concurso recebeu mais de uma centena de propostas em duas categorias denominadas aquelas que testemunham “a mudança social em que os homens vivenciam a paternidade e também cuidam dos pais de uma forma diferente”, disse Montero.

As fotos vencedoras, além da menção honrosa e de doze fotos de Berge, apresentam na exposição o diálogo entre “dois países que têm aparência diferente, mas têm muito em comum”, destacou Montero.

Na categoria Geral, venceu a fotografia em preto e branco ‘Irmãos Cuidados’, na qual Bladimir Escalera, um jovem da comunidade de Linku Aguilani, no centro da Bolívia, se mostra com o irmão mais novo movendo-se nas costas com a ajuda do aguayo, o pano colorido usado pelos indígenas, enquanto moe arroz em um moinho de pedra.

Escalera disse à EFE que nas suas fotos quis mostrar que nas comunidades rurais é comum os idosos cuidarem dos mais novos e expressarem a prática ancestral do ‘ayni’: ajudar-se e ajudar-se mutuamente.

“Já não estamos no século 21, por isso devemos nos engajar no cuidado. Diante da lei somos todos iguais, não podemos dizer: ‘Pertence à mulher ou ao homem’”, acrescentou.

A foto vencedora na categoria Profissional é ‘Pega minha mão’, foto do fotógrafo Rodrigo Urzagasti sentado, segurando sua filha pequena, em quem está colocando um nebulizador.

Atividades cotidianas como dar banho no bebê, cortar as unhas, pentear o cabelo, fazer as refeições, dormir ou brincar, escovar os dentes, cozinhar juntos ou os pais deixarem os netos se maquiar são outras áreas incluídas na amostra.

Segundo dados da Oxfam, estima-se que na Bolívia as mulheres dedicam o dobro do tempo que os homens ao trabalho de cuidados.

Magnusson enfatizou a importância de políticas como a licença parental remunerada que é considerada “um investimento para o futuro” e também para promover a igualdade, enquanto Montero considerou que o Estado deveria ajudar a garantir que “o cuidado não sobrecarregue o trabalho das mulheres”. EFE

(foto) (vídeo)



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