Genebra, 27 de abril (EFE).- Os países com armas nucleares e alguns dos seus aliados mais próximos ameaçam ativamente o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), embora digam que o apoiam como pedra angular da abolição, alerta a ICAN, uma organização global antinuclear.
Num relatório publicado no início da décima primeira conferência de revisão deste acordo, na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, a ICAN (Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares) alerta que o conflito global é usado como desculpa para o não cumprimento dos compromissos do TNP.
É “inaceitável” usar a situação global como desculpa, enfatizou a diretora executiva do ICAN, Melissa Parke, que lembrou que quando o TNP estava a ser negociado em meados da década de 1960, “o ambiente geopolítico também estava muito ativo depois da crise dos mísseis cubanos”.
A ICAN, uma coligação de ONG que ganhou o Prémio Nobel da Paz em 2017, participará na conferência de revisão, que durará até 22 de maio.
Estas reuniões têm sido realizadas de cinco em cinco anos desde o início do acordo em 1970, embora o ano de 2020 tenha sido realizado em 2022 devido à epidemia de Covid-19, e devido a este atraso, aquele que deveria ser realizado em 2025 foi transferido para este ano.
Segundo o ICAN, não foram obtidos resultados significativos nestas conferências desde 2010, “e há pouca esperança de que desta vez seja diferente”, numa situação em que duas potências nucleares, a Rússia e os Estados Unidos, estão envolvidas numa “guerra ilegal” com membros do TNP, como a Ucrânia e o Irão.
O relatório explica que os Estados com armas nucleares adoptaram uma estratégia diplomática semelhante para desviar a atenção do seu incumprimento do TNP sobre o desarmamento.
As suas acções mais comuns incluem a promessa de redução de armas sem um calendário específico, a apresentação de “relatórios de transparência” em conferências enquanto expandem o seu arsenal com vários graus de sigilo, ou a declaração falsa de um “compromisso inequívoco com o desarmamento”.
“A modernização das armas e a promoção da proliferação nuclear impõem às gerações futuras a ameaça das armas nucleares que há muito deveria ter sido relegada aos livros de história”, condenou Parke.
O relatório também alerta para uma nova e preocupante retórica entre os governos dos Estados sem armas nucleares e os signatários do TNP, especialmente na Europa, que elogiam abertamente a dissuasão nuclear e, em alguns casos, defendem abertamente o aumento das capacidades de armas atómicas dos seus aliados.
A este respeito, o relatório cita declarações como a do primeiro-ministro belga, Bart De Wever, que assinalou que falta apenas uma força nuclear na União Europeia (França), ou a do seu homólogo finlandês, Petteri Orpo, que elogiou a expansão do arsenal nuclear francês no futuro. EFE















